O regente aposta na
qualidade artística
De CuritibaA Orquestra Sinfônica do Paraná tem um ponto dolorido eternamente exposto: a questão salarial. Jamil Maluf assume a direção sabendo que junto da batuta e das partituras vicejam pepinos e abacaxis. Parece não se amedrontar com a situação incômoda: ‘‘É uma questão muito antiga. Conversei com os músicos sobre isso e pretendo abordar urgentemente o problema.’’
Ao contrário de atitudes reivindicatórias passando unicamente pela ‘‘força sindical ou cartorialista’’, o maestro acredita numa força ainda maior: a da qualidade artística do grupo. ‘‘Eu disse a eles que quanto maior nível tiverem, e quanto mais gente levarem ao teatro, mais poderosos serão. Porque o poder do artista está diretamente ligado a isso.’’
Para o regente é preciso repensar os conceitos sobre a manutenção de uma sinfônica. ‘‘No Brasil, se você falar que uma orquestra sinfônica tem que ser mantida inteiramente pelo governo, você estará assinando atestado de morte daquela orquestra. Se falar que o governo deve passar inteiramente para a iniciativa privada, estará assinando atestado de morte mais rápido ainda.’’ Maluf acredita que a saída é a fusão entre governo e iniciativa privada. O primeiro atuaria mais na área salarial; aos empresários caberia a manutenção da temporada artística (contratação de regentes, solistas e até de assessoria de imprensa).
‘‘Não entendo por que a orquestra não tem uma assessoria de imprensa que trabalhe em cima dela. É muita coisa para divulgar e Curitiba não é uma cidade em que não acontece nada. Aqui acontece muita coisa, a competição na vida cultural é muito grande. Vai se tornar cada vez maior. A orquestra tem que ser tratada como uma empresa moderna, e não como repartição pública da pior espécie, antiquada, cheia de vícios. Tem que sair disso.’’(Z.C.L.)

mockup