Francelino França
De Londrina
Exposição do revolucionário artista espanhol começa terça-feira no MAM do Rio de Janeiro. Público carioca conhecerá obras produzidas nos anos de guerra
O mais famoso e versátil artista do século 20, o pintor espanhol Pablo Ruiz Picasso (1881-1973), recebe uma importante retrospectiva no MAM (Museu de Arte Moderna) do Rio, a partir do dia 27 de julho até 7 de setembro. A exposição terá como eixo os ‘‘anos da guerra’’, retratando um panorama da produção do artista no período compreendido entre 1937 a 1945. O momento crítico pelo qual passava a Europa se refletiu fatalmente nessas obras.
O público carioca terá oportunidade de conhecer 150 trabalhos de Picasso, entre pinturas, gravuras, desenhos, esculturas e fotografias produzidos durante os conturbados anos da Segunda Guerra. Grande parte das obras expostas virá do Museu Picasso de Paris.
‘‘Isso representa uma prova de maturidade dos museus no Brasil. Talvez, há cinco anos, o exigente Museu Picasso não aprovasse a exposição. A profissionalização dos museus brasileiros fez com que fossem inseridos no circuito internacional’’, avalia Maria Regina do Nascimento Brito, diretora do MAM, em entrevista por telefone. As empresas patrocinadoras desembolsaram R$ 1,1 milhão para brindar o público com impressionantes criações do ruidoso criador contemporâneo.
O foco da exposição estará voltado para as obras de Picasso, sem a competição de cenários, como ocorreu na mostra de Salvador Dali. Todo o conjunto estará distribuído em 2.500 metros quadrados. Depois que as retrospectivas de Rodin, Monet e Dali arrastaram multidões, desta vez Maria Regina de Brito calcula que um público aproximado de 400 mil pessoas visitará essa exposição.
Aclamado como o autor de obras que revolucionaram quase cinco séculos de pintura ocidental, Picasso conseguiu, em vida, reconhecimento e notoriedade. Ele rompeu com as perspectivas da pintura, inaugurou uma nova era, deixando sua marca em praticamente todos os movimentos artísticos surgidos daí em diante. Ainda em vida, Picasso foi admirado, amado, invejado, criticado, mas, acima de tudo, reconhecido como um dos mais geniais artistas de todos os tempos, e considerado o maiúsculo exemplo da pintura moderna.
Dentre as obras que o público carioca poderá apreciar estão ‘‘A Mulher que Chora’’ (1937), ‘‘Homem com Chapéu de Palha e Sorvete de Casquinha’’ (1938), ‘‘Gato Pegando um Passarinho’’ (1939), ‘‘Menino com Lagosta’’ (1941) e ‘‘Natureza-Morta com Vela’’ (1945). Partindo de temas aparentemente singelos, Picasso imprimiu contornos por vezes sombrios, trágicos e opressivos. Três importantes esculturas revelam ainda esta outra notável faceta do artista. Finalizando a exposição, a galeria Picassos Brasileiros reúne pinturas e gravuras pertencentes à Chácara do Céu, Masp e MAC/USP.
Como acontece nos grandes museus do mundo, um extenso programa voltado à educação de crianças, adolescentes e adultos completará a programação. Professores receberão atendimento diferenciado. Uma agitada programação paralela estará aproximando vida e obra de Pablo Picasso do público brasileiro.
Curadores, historiadores e críticos de arte estarão em verdadeira ebulição durante o evento. Outro destaque da picassomania será uma sala multimídia, oferecendo informações sobre a carreira do artista, textos, além de links com museus de todo o mundo. A Magellan Productions trará um CD-ROM recheado com mais de 270 obras de Picasso, incluindo as que serão expostas nesta mostra, animações, biografia e até um desafiante quebra-cabeças ‘‘cubista’’.
Em parceria com o Consulado Geral da França do Rio de Janeiro, o MAM programou também uma mostra de filmes franceses - de 31 de julho a 4 de setembro - sobre o mestre espanhol. Realizados por cineastas como Frédéric Rossif, Lauro Venturi, Bernard Bertrand, Nelly Kaplan e Jean Desvilles, os filmes, três longas e três curtas-metragem, abordam a vida e obra do artista, sua relação com seus modelos, imagens do novo museu Picasso em Paris e do Centro Cultural de Marais.
Ainda inseridos na programação, seminários questionando a genialidade do mestre espanhol prometem esquentar o evento. ‘‘Picasso, o pintor do século?’ e ‘‘Picasso, pós-cubista: o pintor do século perdeu o trem da história?’’ são exemplos dos temas a ser debatidos. Depois do Redentor reverenciar Picasso, será a vez do Masp abrigar a inquietante exposição do gênio. A mesma exposição ficará no museu paulistano de 22 de setembro a 14 de novembro.
SERVIÇO
Picasso: Anos de Guerra, 1937-1945. Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM, de 27 de julho a 7 de setembro de 1999. Av. Infante Dom Henrique, 85 - Aterro do Flamengo - Rio de Janeiro. Tel: (0xx21) 210-2188. Horário: terça e quarta: 10h às 18h; quinta e domingo : 10h às 20h; sexta e sábado: 10h às 22h. Ingressos: R$ 10,00 (estudantes e maiores de 65 anos: R$ 5,00). Internet: www.mamrio.com.br (e-mail: [email protected]).

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