Guto Rocha
Do Rio de Janeiro - Especial para Folha Turismo
Com jardins e parques espalhados pelo Brasil afora, Roberto Burle Marx deixou um importante legado paisagístico para toda a humanidade. Sem dúvida, seu trabalho que é reconhecido mundialmente, merece ser visto. No Rio de Janeiro, alguns parques, como o do Aterro do Flamengo e o belo Açude da Solidão, no Parque Nacional da Tijuca, levam sua marca: a interferência do homem na natureza respeitando a harmonia de seus elementos.
Mas talvez o sua maior contribuição para sensibilizar o homem a respeitar e admirar a natureza está no lugar que ele escolheu para viver. Em 1949, Burle Marx comprou o sítio onde ficou até a sua morte em junho de 1994, em sociedade com seu irmão Siegfried. O sítio era chamado ‘‘Santo Antônio da Bica’’ por causa das minas d‘água que abasteciam a comunidade de Guaratiba, onde está localizado.
Inicialmente, Burle Marx restaurou a casa sede da antiga fazenda e a capela de Santo Antônio da Bica, construída em 1681. Nesta fase, começou a trazer as plantas que faziam parte de sua coleção, iniciada aos seis anos de idade. E em 1973, ele se mudou definitivamente para o sítio.
Mesmo sem ter uma preocupação com estética paisagística, o Sítio Roberto Burle Marx é um imenso jardim, com uma área de 600 mil metros quadrados, que abrigam mais de 3,5 mil espécies de plantas nativas e exóticas. Ao longo dos anos, Burle Marx conseguiu reunir a maior coleção de plantas da família das Araceas (jibóias e bananas de macaco, por exemplo) e heliconiaceae do mundo. A coleção de palmeiras, também um das maiores do mundo, conta com 250 espécies diferentes.
Segundo Zulmira Pope, bibliotecária que trabalha no Sítio, Marx identificou botanicamente 46 plantas da sua coleção, sendo que 26 espécies levam seu nome. As bromélias também merecem destaque pelo grande número de espécies agrupadas. Ainda não existe um trabalho rigoroso de indentificação e contagem das orquídeas, mas a paixão por estas plantas, conta Zulmira, levou o paisagista a comprar US$ 20 mil em orquídeas durante uma viagem ao Havaí.
Para desenvolver seus trabalhos, Burle Marx construiu no sítio um ateliê utilizando pedras da fachada de um prédio demolido no centro do Rio de Janeiro. O ateliê foi inagurado em fevereiro de 1994, mas o artista que morreu em junho daquele mesmo ano, acabou trabalhando no local. ‘‘Ele foi velado aqui’’, conta Zulmira. Além das obras de arte e da beleza arquitetônica do prédio, o ateliê abriga um acervo de livros com mais 2,5 mil títulos.
A propriedade foi doada ao governo em 1985 pelo paisagista, como forma de garantir a realização de seu desejo de instalar ali uma escola de formação de arquitetos paisagistas, botânicos e artistas plásticos. Além dos jardins e coleção de plantas, Burle Marx também deixou um grande acervo de obras de arte, com pinturas de sua autoria, murais, esculturas sacras do século 18 e 19, uma coleção de peças cerâmicas pré-colombianas e do artesanato do Vale do Jequitinhonha. Agora Sítio faz parte do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAM).
Localizado há cerca de 45 km do centro do Rio de Janeiro, na Estrada de Guaratiba, o sítio é aberto à visitação pública. As visitas devem ser agendadas previamente pelo fone (0**21) 410-1412 ou 410-1171, entre 9 horas e 16 horas. O ingresso custa R$ 4,00.Sítio onde paisagista viveu é um imenso jardim de 600 mil metros quadrados, onde estão mais de 3,5 mil espécies de plantas nativas e exóticas
Sítio Burle Marx: jardins, coleção de plantas e grande acervo de obras de arteFotos: Guto RochaPATRIMÔNIOO ateliê, inaugurado em 1994: acervo de 2,5 mil livrosCapela de Santo Antônio da Bica

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