O Real e o turista brasileiro
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de agosto de 1997
Edinelson Alves Especial para a Folha Turismo 
DivulgaçãoMiami: muito passeio e pouco dinheiroA estabilização do Real e principalmente o longo parcelamento para o pagamento da viagem provocou uma mudança no perfil dos turistas brasileiros que visitaram a Flórida, nos Estados Unidos, nesta alta temporada de julho-agosto. Acostumados com os endinheirados brasileiros de outras temporadas, o trade turístico de Orlando e Miami não pode esconder o espanto diante de tantos visitantes que chegaram apenas para conhecer os parques e os roteiros estabelecidos pelo pacote, sem permitir gasto extra.
Eduardo Oliveira, proprietário da Club Tour de Orlando conta que viu cenas inimagináveis em anos anteriores.Um senhor que veio do Sergipe num vôo charter com a mulher e dois filhos, me perguntou no aeroporto se eles conseguiriam comer com 20 dólar ao dia. Expliquei que as coisas são tão caras em alguns parques que um cachorro quente e um refrigerante custam 5 dólar. Aí ele apelou: disse que sairia do parque para comer num boteco da esquina, como se isso fosse possível. Um outro caso que Eduardo recorda, é de uma senhora da Bahia.Ela ficou no hotel e não permitiu que fosse feita a limpeza diária, só para economizar na gorjeta que aqui é obrigatória.
Kátia Ribeiro, agente da Happy Travel, do Rio Janeiro, que há 8 anos acompanha turistas na Flórida, concorda que nessa alta temporada houve uma mudança no perfil dos visitantes.Toda essa facilidade no pagamento tem permitido que pessoas de menor poder aquisitivo possam realizar esse sonho, que antes era impossível, de conhecer os parques de Orlando e os shoppings de Miami. Kátia, que só neste ano está vindo pela quarta vez a Flórida, diz que teve pessoas do seu grupo que se empolgaram no início da viagem, compraram tênis e relógios e depois tiveram que vender para os colegas de viagem, antes mesmo do retorno ao Brasil.
O crescimento desse novo perfil de turista contribuiu para a queda do movimento nas centenas de lojas de Miami e Orlando, as quais estão voltadas quase que exclusivamente para atender os brasileiros. O lojista Rodrigo Silva, diz que preparou uma coleção de moletons e camisetas especialmente para atender aos turistas. Já estamos no final de agosto e não vendi nem 30% desse estoque. Foi uma temporada bastante atípica, lamenta.
É preciso ressalvar, porém, que nem todos os brasileiros que vieram a Flórida nessa temporada se enquadram nesse perfil de economia de guerra. Uma grande parcela teve que providenciar novas malas para colocar as compras. Adolescentes comprando tênis de marca, relógios e eletrônicos em geral ainda é uma cena comum nos shoppings. Mas é inegável que as facilidades de pagamento tem permitido a muitos brasileiros realizar a primeira e inesquecível viagem internacional.


