O Rappa afina os instintos com Curitiba
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sábado, 23 de fevereiro de 2002
Ana Clara Garmendia Equipe da Folha 
Curitiba Passados dez anos de estrada e um ano do acidente que deixou seu líder Marcelo Yuka numa cadeira de rodas, a banda carioca O Rappa está de volta aos palcos com seu show Instinto Coletivo. Ontem à noite, o grupo se apresentou, depois de um ano de jejum, em Curitiba. Para eles, a vinda ao Paraná representa mais do que fazer uma apresentação para emplacar seu mais recente trabalho. Afinal, foi na capital paranaense que a banda começou a experimentar o gosto do sucesso, há 10 anos, em um festival de Reggae.
Os integrantes estão na estrada divulgando o novo disco, Instinto Coletivo, o primeiro gravado ao vivo e que contempla alguns dos sucessos e também cinco canções inéditas. O CD duplo conta com a participação do Sepultura e do grupo Asian Dub Foundation.
Para O Rappa, Curitiba é o quintal da casa deles. Dois de seus componentes têm filhos curitibanos. Um deles é o guitarrista Xandão que concedeu a seguinte entrevista exclusiva, por telefone, à Folha2:
Como é voltar aos palcos de Curitiba depois de um ano sem aparecer por aqui?
Cara, é uma coisa muito legal. Foi aí que começamos a nossa carreira. Que ficamos conhecidos do grande público, há mais ou menos dez anos num festival itinerante de reggae. Desde aquela época temos sido super bem recebidos em Curitiba. Na verdade, acreditamos que Curitiba nos dá sorte. Tanto que eu tenho uma filha de um ano, a Maria Eduarda, que nasceu aí. E tem o Lauro também. Ele tem uma filha nascida aí.
De que forma o início da carreira de vocês foi influenciado por Curitiba?
Você sabe como as coisas são difíceis quando a gente está começando. E aí não teve isso não. Curitiba nos amparou, olhou para o nosso trabalho e daí nasceu um carinho recíproco. Tanto que o Yuka fez questão estar no show. Como você sabe, para ele participar há uma grande manobra. Tem que viajar com fisioterapeuta e enfermeiro e além do mais ele fica muito cansado. Mas para Curitiba ele fez questão de ir.
De que forma o acidente do Yuka influenciou o novo trabalho de vocês, Instinto Coletivo?
Olha, nós queríamos voltar a fazer alguma coisa. Era muito importante para todos, inclusive para o Yuka. É um momento de glória de todos nós. Porque ele está se recuperando bem e quer trabalhar muito. Não dá para deixar um trabalhador em casa, né? Imagine um cara como Yuka que escreve as letras que escreve e sofre uma violência tamanha. Ele vive para a música e com ela vai ser ajudado a superar um trauma tão grande.
Como está a recuperação do Yuka. Quais são os prognósticos?
Ele está indo muito bem. Já está recuperando os movimentos do pé e isso é um grande avanço para quem tem um problema como o dele. No momento, a coisa mais importante da vida dele é a fisioterapia e ele sabe que precisa fazer todos os dias para ficar bom. Ele quer isso.
Como foi a participação de vocês no Fórum Mundial Social em Porto Alegre, mês passado?
Foi simplesmente maravilhoso. Lá o Yuka fez questão de estar também. Fomos aclamados pelo público que estava lá. Sentimos o ego inflado já que quem estava lá está afinado com o som que a gente faz. Para nós, este reconhecimento de uma banda pacifista é fundamental.
Como vocês encararam o acidente do Yuka?
Olha, o que aconteceu foi muito traumático. Mas poderia acontecer com qualquer outra pessoa e nós temos consciência disso. Há coisas erradas no mundo inteiro, não é só aqui não e a gente vai seguir brigando por tudo, metendo o dedo na ferida mesmo. Somos artistas inquietos.


