O que querem os leitores
A primeira carteirinha de sócia Biblioteca Pública de Londrina em nome de Eliete Quina tem carimbo de 1980. Os clássicos universais da literatura ganharam preferência da leitora, após um período de leitura mais digestiva, como Sidney Sheldon. Segundo a agrônoma, a leitura regular contribuiu para sua formação e ampliou seus horizontes culturais. ''A leitura é importante para conhecer outros mundos'', avalia. Ela costuma emprestar em média quatro livros mensais. Eliete Quina se ressente a Biblioteca não possuir as obras completas de Shakespeare, com traduções atualizadas. Em Londrina, costumava frequentar as bibliotecas dos colégios Vicente Rijo, Champagnat, Sesc e as específicas de agronomia da UEL, Embrapa e Iapar. Hoje, ela está finalizando a leitura de ''Paris É Uma Festa'', de Ernest Hemingway.
O jornalista da Folha, Estélio Feldman, chegou a Londrina em dezembro de 1955, em plena explosão do ouro verde. Um dos primeiros locais visitados pelo jovem Estélio foi a Biblioteca Pública. Nas duas salas apertadas na antiga Prefeitura (hoje o Banco Bradesco, na Praça Willie Davids), encontrou os clássicos de Alexandre Dumas e Machado de Assis.
''De um modo geral, para quem quer ler e não tem recursos, lá se encontra de tudo'', constata. A deficiência, na opinião do jornalista, está nos lançamentos de literatura, quase raros nas estantes. Há 20 anos, Estélio se tornou um dos mais assíduos frequentadores da Biblioteca Pública, emprestando romances, biografias e aos autores que se dedicam ao suspense e ação. Fã de Agatha Christie, Estélio Feldman conhece toda a obra da dama do suspense.
A partir de um seminário solicitado por um professor sobre o tema tuberculose, Everton Pereira da Cruz, estudante de Matemática, mergulhou no mundo da leitura e se tornou um ''rato'' de biblioteca. Na época, cursando o 1º colegial, costumava pesquisar os livros da área de exatas. Para ele, o setor de livros didáticos da Biblioteca Pública está defasado, principalmente em comparação à UEL. Em literatura, Everton é um leitor assíduo das obras de Paulo Coelho. A carteira de identidade do universitário acaba ficando mais tempo na Biblioteca do que na carteira, em função dos recorrentes empréstimos especiais. (F.F.)





