No universo da política cultural orbitam preocupações que, além da classe artística, fazem parte do dia-a-dia dos londrinenses.
As três filhas da auxiliar-administrativa Ana Paula da Silva, 36 anos, participam do grupo Cristal, do Centro de Produtores Independentes de Arte e Cultura (Cepiac), do Conjunto Habitacional João Paz (Zona Norte). O elenco se prepara para embarcar, em novembro, para Stainz, região metropolitana de Paris, onde deve apresentar o espetáculo ''Flores e Cantigas'' e realizar algumas oficinas à convite do grupo francês Studio Théâtre.
Para Ana Paula, a viagem é uma oportunidade que dificilmente poderia oferecer às filhas, Thaise, 15, Amanda, 13, e Maria Gabriela, nove.
''A vida das minhas filhas mudou bastante. Hoje, elas são mais críticas e pensam a cultura de uma maneira diferente da minha. Acho importante valorizar a política pública cultural em qualquer governo. Eu, por exemplo, tenho 36 anos de idade e nunca tinha ido ao teatro''.
Para a professora aposentada Rosemary Friedman Angeli, 60 anos, é preciso preencher alguns espaços. ''Há uma lacuna grande no sistema educacional. Um jovem ou criança que quer aprender a tocar um instrumento têm poucas chances'', afirma.
A professora lamenta a falta de continuidade nas políticas públicas. ''Cada um se considera dono da direção que deve ser dada. A instituição dos diferentes conselhos comunitários pode garantir a continuidade das políticas'', aponta a professora, lembrando que os grupos considerados à margem das políticas culturais precisam se organizar, se quiserem conquistar espaço.®MD77¯(F.L.) ®MDNM¯

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