O que o nazismo quer com a arte?
Cine Debate propõe uma discussão sobre o tema em evento promovido pelo Coletivo Mobiliza Londrina
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de janeiro de 2020
Cine Debate propõe uma discussão sobre o tema em evento promovido pelo Coletivo Mobiliza Londrina
Tamiris Santos 
Cultura e nazismo - para muita gente podem parecer duas coisas distintas, mas após a demissão do então secretário de Cultura do governo brasileiro Roberto Alvim, por parafrasear o discurso de Joseph Goebbels, ministro da propaganda da Alemanha nazista, a relação entre essas duas palavras veio à tona; e em Londrina será discutida num Cine Debate no Museu Histórico com a exibição do documentário “Arquitetura da Destruição”, de 1989, dirigido por Peter Cohen e a presença de uma mesa redonda especializada.
Estarão presentes o professor Marco Antônio Neves Soares, especialista em Teoria da História da UEL (Universidade Estadual de Londrina), a pesquisadora do Grupo de Trabalho Estudos Culturais, Política e Mídia, bolsista CNPq/UEL Raquel de Medeiros Deliberador e José Miguel Arias Neto, professor de História Contemporânea, também da UEL e um dos membros do Coletivo Mobiliza Londrina, responsável pela organização do Cine Debate.
De fato, não existe uma relação que possa ser feita diretamente entre nazismo, arte ou cultura, mas o que se pode afirmar é que há e sempre houve uma tentativa nazifascista de impor uma visão única do que é arte. É característico de governos com ideologias fascistas, por exemplo, a censura, um mecanismo de puro poder e controle ideológico. “O que o nazismo faz é querer impor uma visão de cultura geralmente conservadora e obscurantista. Tolera apenas o que não é crítico, o que pode reafirmar o populismo fascista, quer ter o controle em relação às linguagens modernas, supervalorizando o que seria a visão clássica da arte,” afirma o professor Marco Soares.
“Arquitetura e Destruição” menciona aspectos do nazismo e de Hitler pouco explorados como o fato do ditador alemão ter se inspirado em uma ópera - “Rienzi” de Richard Wagner, composta em 1840 - na ideia do retorno da ascensão do ideal greco-nórdico homoerótico e na apropriação feita da “arte degenerada”, do cubismo e dadaísmo, associando-a aos doentes mentais e deficientes físicos. O documentário traz outros e, talvez, ainda desconhecidos, aspectos do nazifascismo que não têm só a ver com a política, mas em como a política precisa estar no controle das mais variadas esferas da sociedade. “O filme é importante para o debate na medida em que ele demonstra como o nazifascismo orquestrou-se de maneira a penetrar em todos os poros da sociedade,” lembra Soares.
O coletivo
O coletivo Mobiliza Londrina responsável por trazer o Cine Debate, é um movimento suprapartidário de esquerda criado em 2016, com pautas que se baseiam em democracia e antifascismo. Atualmente o grupo possui 367 integrantes em debate ativo e cerca de 2.500 seguidores nas redes sociais. “Queremos uma Arte Livre, sem dirigismos ideológicos. A questão é que os atuais poderes constituídos e os grupos que os apoiam afirmam mover uma “guerra contra o marxismo cultural”. A ideia de um “marxismo cultural” ou “bolchevismo cultural” foi criada por Adolf Hitler em seu livro “Minha Luta”, que propõe uma guerra contra o “bolchevismo cultural” em nome da verdadeira Arte Alemã. O plágio que Alvim fez de Goebbels, não é mero acidente. E sua saída não muda muito o cenário para as artes no Brasil contemporâneo. A nossa expectativa é sempre a melhor. Esperamos [no evento] que as pessoas preocupadas com as liberdades nas artes e com a democracia brasileira venham debater ideias sobre a nossa situação atual,” aponta José Miguel, representante do Mobiliza Londrina.
Serviço:
Cine Debate - nazismo e propaganda
Local: Museu Histórico de Londrina (R. Benjamin Constant, 900)
Horário: Às 19h30
Entrada gratuita
Supervisão: Célia Musilli
Editora da Folha 2


