Depois de sua primeira produção em Curitiba, em 2005, Tomás Magno passou a ser figura frequente na cidade. Natural da Bahia, Tomás passou 11 anos morando no Rio de Janeiro, mudando-se para São Paulo no ano passado. Nestes centros urbanos se envolveu com trabalhos musicais de estúdio ao lado do conceituado Tom Capone. Foi assistente, engenheiro de som ou produtor de álbuns de artistas como O Rappa, Detonautas, Gilberto Gil, Raimundos, Skank, Natiruts, Marisa Monte, Maria Rita, Milton Nascimento, Marjorie Estiano, Barão Vermelho, entre tantos outros, contabilizando mais de 70 discos. Ultimamente tem se dedicado bastante aos artistas independentes.

Hoje, mesmo os artistas mais independentes estão trabalhando com produtores. Por que ?

Essa mudança vem da vontade de se profissionalizar, é o anseio de fazer algo grande. As bandas que já eram melhores resolveram se profissionalizar de vez, e aceitar uma ajuda externa de profissionais que vivem disso.

Você tem sentido essa necessidade só em Curitiba?

Não é só aqui, mas no País todo. O pessoal está cada vez mais aberto para a ideia do produtor ajudando a banda. Quando o artista contrata o produtor, ele vira um integrante da banda por algum tempo.

Qual a principal vantagem deste trabalho para uma banda emergente?

É o fato do produtor estar desapegado das músicas e dos arranjos. Com o artista, muitas vezes acontece dele se viciar nele mesmo. O produtor é um cara de fora que vê outras opções. Às vezes um detalhezinho mínimo que ele percebe já vai fazer uma grande diferença não só para a música, mas para a banda toda.

Produtor muda uma banda?

Não comigo. Eu nunca mandei um artista tocar de tal jeito. Eu só apontei outros caminhos. Quem cria é o próprio artista. Existe o produtor solo, que faz a música inteira para artista, mas esse não é o meu modo de trabalhar.

E se for uma banda fraca e inexperiente, tem como o produtor salvar?

Não. Quando é assim, não tem jeito. O cara até pode fazer um bom disco, mas não vai ter verdade. O que importa é a verdade do artista. É isso que faz ele crescer ou não. Se o produtor tira essa verdade, ele é o pior produtor do mundo.

O fato de o produtor ser de outra cidade, ter um olhar de fora, pode trazer benefícios?

Eu não afirmaria isso. O que eu digo é que o produtor deve ser experiente.

Você tem alguma orientação ou conselho para as bandas da cidade?

Se o artista quiser representar algo para as pessoas, ele tem que criar arte. Não adianta só reproduzir.

Há uma identidade curitibana na música da cidade?

Eu acho que Curitiba não tem apenas um tipo de musicalidade que possa ser classificada como ''rock curitibano''. A cena da cidade está além disso. É multicultural, que não explode para um lado só, mas para vários lados. Eu acho isso maravilhoso.

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