O que há de novo nas telas norte-americanas
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quarta-feira, 23 de setembro de 1998
Claudia Rahola France Presse 
Hollywood se recupera da ressaca de verão e aposta numa fórmula que mistura estrelas, grandes sucessos literários e temas fantásticos, numa série de produções das quais devem surgir os grandes favoritos para o próximo Oscar.
Beloved, a versão cinematográfica do prêmio Pulitzer de Toni Morrisone e protagonizada pela popular apresentadora de televisão Oprah Winfrey, One true thing, um drama familiar estrelado por Meryl Streep e William Hurt, e Antz, um romance digital entre duas formigas, têm os ingredientes necessários para estourar nas bilheterias.
Para estes meses, tradicionalmente fracos em termos de bilheteria, os estúdios não esqueceram de programar uma boa dose de ação e os fãs do gênero logo poderão se deleitar com Ronin, o novo filme de John Frankenheimer sobre as operações de uma rede internacional de espiões.
Com um elenco liderado por Robert DeNiro, o francês Jean Reno e o dinamarquês Stellan Skarsgard, Ronin deverá competir em pé de igualdade com The Siege, uma produção que está enfurecendo os árabes e muçulmanos dos Estados Unidos antes mesmo de sua estréia.
Denzel Washington, em seu terceiro trabalho com o diretor Edward Zwick depois de Glory e Coragem sob fogo, e Bruce Willis são os astros deste filme sobre uma onda de atentados terroristas que leva os militares dos Estados Unidos a decretar a lei marcial e encerrar os árabes norte-americanos em campos de concentração.
Mas nem só de ação vive o cinéfilo norte-americano e os lançamentos de outono querem atrair um outro público com produções que também visam seduzir a crítica. One True Thing, de Carl Franklin, traz Meryl Streep com sérias aspirações ao Oscar do ano no papel de uma mãe moribunda, que consegue ganhar o carinho da filha (Renee Zellweger), que, por sua vez, idolatra o pai (William Hurt).
A principal adversária de Streep pode ser Oprah Winfrey, que finalmente realizou seu sonho de levar às telas o romance vencedor do Prêmio Nobel e cujos direitos possuía desde 1988. Em Beloved, dirigido por Jonathan Demme (de Os Gritos do Silêncio), a entrevistadora vive uma escrava que mata sua filha para evitar os horrores da vida que os negros levam e é perseguida pelo fantasma da menina.
A literatura está igualmente presente no filme de James Ivory, A Soldier Daughter Never Cries, baseada no romance autobiográfico de Kaylie Jones (filha de James Jones) sobre a adolescência da filha de um escritor norte-americano (interpretado por Kris Kristofferson) na Paris dos anos 70, assim como em Practical Magic, adaptação de uma história de Alice Hoffman sobre bruxaria moderna, com Sandra Bullock e Nicole Kidman.
Robin Williams, que vive um marido morto decidido a encontrar no além sua esposa (Anabella Sciorra), que se suicidou depois de perdê-lo, em What Dreams May Come, ou Eddie Murphy, no papel de um tele-evangelista que prega a televendas em Holy Man, completam a lista de estrelas a ser vistas em breve nas telas.
Outros nomes de destaque, como Woody Allen e Sharon Stone, emprestarão suas vozes a formigas criadas por computador em Antz, uma fábula sobre um operário apaixonado por uma princesa, que estréia dois meses antes de outro filme sobre insetos, A Bugs Life.
Às vésperas do Halloween, James Woods vai liderar um grupo de homens encarregados de acabar com um ninho de vampiros, em John Carpenters Vampires, precedido por Bride of Chucky, a nova continuação da série O Brinquedo Assassino.
E como este é também o período de produções de pequenos estúdios, que geralmente reservam gratas surpresas ao espectador, estão previstas as estréias de Apt Pupil, o primeiro filme de Bryan Singer desde Os suspeitos, Clay Pigeons, uma comédia de humor negro, com Joaquin Phoenix e Vince Vaughn, ou a esperada Pleasantville, sobre dois jovens presos num mundo em preto-e-branco e que desenvolverão gradualmente as cores.
A Vida é Bela, a bem-sucedida comédia do italiano Roberto Benigni sobre um rabino desejoso de proteger seu filho dos horrores do Holocausto, aparece com um dos candidatos ao Oscar de melhor filme estrangeiro e tentará conquistar um público norte-americano pouco afeito às grandes produções comerciais.


