O que fazer em caso de emergência a bordo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de março de 2006
Cristiana Vieira<br> Agência Estado 
Todos a bordo. O avião levanta vôo. Está tudo sob controle. Algumas horas depois, quando a aeronave já alcançou mais de 10 mil pés de altitude, o comissário pede a atenção dos passageiros e pergunta: há algum médico a bordo? Muitos já presenciaram uma situação como essa. E, quando acontece, não há passageiro que resista à tentação de se contorcer no assento à procura do ''candidato'' e da vítima.
Num caso de emergência a bordo, os comissários só têm autorização para fazer os primeiros socorros e, para isso, passam por uma reciclagem anual. ''No Brasil não existe a categoria de paramédico. O comissário não está coberto pela lei e, em caso de atendimento específico, ele estará exercendo ilegalmente a medicina'', explica o presidente da Associação de Medicina Espacial do Estado do Rio de Janeiro e segundo vice-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Espacial, Carlos Gerk Filho.
Os atendimentos mais frequentes em avião são casos de enjôo, dor de ouvido, enxaqueca ou alguma reação do organismo aos efeitos da altitude. Mas quando há uma situação mais grave, como enfarte, por exemplo, o comandante pede autorização da torre de comando para fazer um pouso alternativo. ''O avião com doente a bordo tem prioridade para pouso. Não fica na fila'', explica Gerk.
Em casos extremos, como morte do passageiro, o comandante tem de fazer as devidas anotações (como hora e causa da morte) no livro de bordo e, assim que o avião pousar, o médico do aeroporto faz o atestado de óbito.
Nos Estados Unidos, em obediência às normas da aviação, as empresas aéreas são obrigadas a portar desfibrilador equipamento usado nos primeiros socorros em caso de uma parada cardíaca. Os comissários são treinados para usar o desfibrilador. ''O aparelho 'fala' e o comissário só obedece'', explica Gerk.
Os aviões da Copa Airlines e as aeronaves em vôos internacionais da Varig, por exemplo, contam com o equipamento. ''A Copa Airlines também decidiu incorporar eletrodos para adultos e crianças à frota'', diz o vice-presidente sênior de Operações da empresa, Larry Ganse. Sempre vale o aviso: para evitar qualquer problema, o ideal é que o passageiro consulte um médico para saber se está apto a viajar.
Em alto-mar é um pouco diferente. Nenhum transatlântico navega sem um médico. Dependendo do porte, há até dois profissionais a bordo. Eles têm farmácia completa e medicamentos de primeiros socorros. ''Alguns têm sala equipada para pequenas cirurgias'', conta o diretor de Marketing da Royal Caribbean, Ricardo Amaral. Segundo ele, certa vez, um passageiro teve apendicite e fez exames de ultra-sonografia, sangue e até raio X. ''Tudo no navio'', garante. Em caso de morte, o corpo fica no navio e é desembarcado na próxima escala.


