O que está sendo feito
Em decorrência de uma reunião realizada há pouco mais de um mês, em Londrina, com representantes de escolas e autoridades públicas, na qual foram debatidas, entre outras questões, a insegurança nas imediações das escolas, a Polícia Militar, como informa o comandante do 5º Batalhão, Coronel Rubens Guimarães, criou a ''Patrulha Comunitária Escolar''. Integrada por uma policial feminina e dois policiais, um do batalhão de choque e outro do policiamento ostensivo regular, a patrulha encarrega-se de fazer a ronda das escolas, em particular daquelas nas quais já foi identificada uma situação de risco, abordando quem fica nas imediações, para averiguação, e até mesmo procedendo a uma revista, em busca de armas e drogas. ''Os primeiros resultados desse trabalho'', informa o comandante, ''têm sido o de afugentar do local esses grupos de aliciadores e de intimidadores''.
Porém, ''nem todas as demandas das escolas são problema de polícia'', comenta, ''muitas delas são responsabilidade dos pais''. Com 52 anos de idade e três filhos jovens, de 22, 17 e 15 anos, o coronel lembra a educação que teve, muito mais rígida. ''Mas aí veio a psicologia, reprovando a tal rigidez'', avalia, ''com o argumento de que esse tipo de educação tolhia a liberdade, a iniciativa dos jovens''. Como consequência, ''a sociedade abriu-se para uma liberalidade, que acabou ficando sem limites''. Agora, ''estamos todos tendo de repensar isso''. Contudo, os problemas estão aí. ''Em qualquer classe social'', explica, ''vemos que os jovens acham que o mundo é deles, esquecendo-se de que seu direito vai até onde começa o do outro''.
Para o professor Rony dos Santos Alves, chefe do Núcleo Regional de Ensino, em Londrina, a violência que está chegando às escolas ''é um problema social, com raízes na desestruturação da família''. A escola, no entanto, precisa se posicionar frente a essa questão, que a atinge diretamente. ''O combate à violência emergencial, ao problema imediato, tem de ser feito pela polícia'', afirma. A médio e a longo prazo, no entanto, acredita que se deva ''repensar o papel da escola, não como algo morto, mas como um corpo vivo''. Por isso, ''precisamos continuar a estimular a integração e a parceria com as famílias dos alunos, abrindo as portas para a comunidade, da mesma forma que a comunidade deve se abrir para abraçar a escola''. E uma das idéias, nesse sentido, seria oferecer às famílias uma ''Escola de Pais'', um espaço em que pudessem refletir sobre o que significa essa responsabilidade. Afinal, pondera, ''mais do que criar um filho, é preciso saber educá-lo''.





