O que era bom ficou melhor
Jackeline Seglin
Resgatar os bons tempos do papo na roda de amigos, com uma cervejinha e um ambiente mais acolhedor. Depois de 17 anos, o Bar do Jota tem novos proprietários, ou melhor, proprietárias. Literalmente da noite para o dia, as sócias Maibe Piassa das Neves e Maria Dolores Zundt, a Malu, assumiram o tradicional bar no mês de abril e deram cara nova ao lugar, na tentativa de transformar o boteco em um espaço também voltado para as artes.
Assim, paredes e prateleiras ganharam quadros, esculturas e outros objetos, doados por frequentadores e amigos. A gente pensou em aquecer um pouco o ambiente, colocando flores e melhorando a decoração, conta Malu Zundt. Antes de abrirmos o bar pra valer, numa sexta-feira, chamamos uma artista plástica amiga nossa, que trouxe algumas obras para decorar o bar.
Logo no primeiro dia, a mudança chamou a atenção de outros frequentadores, que também cederam objetos interessantes que tinham em casa. Em menos de um mês, Maibe e Malu tiveram que dar um tempo nas doações. Não fizemos um projeto de decoração. Por isso, ficou tudo meio misturado. Mas o bar tem um estilo próprio e não dá para ir colocando qualquer coisa, justifica.
A idéia das sócias, agora, é planejar um espaço para exposições temporárias. Com isso, cria-se também um local de entretenimento. As pessoas não vêm ao bar só para comer e beber, antecipa Maibe Neves.
Um dos objetivos das mudanças, segundo Malu, era atrair a antiga clientela, que faria do bar novamente um ponto de encontro. A surpresa foi que o espaço agradou mais do que isso. Nosso público está bastante eclético. Tem desde casais até a rapaziada que vem jogar sinuca, completa Maibe. O bar também deve ganhar música ao vivo em alguns dias da semana. Por enquanto, CDs e discos antigos de MPB - e às vezes um bom blues - estão dando conta do recado.
Apesar de ter nova direção, o Bar do Jota não mudou o nome. Pelo menos para o público. A gente gosta muito da questão da tradição. Não queremos mudar isso, dizem as sócias. Mas, na papelada, o boteco atende por outro nome: Jubiabá - escolhido através da numerologia. Buscamos algo bem brasileiro, que lembrasse essa coisa de boteco.
As pessoas que frequentaram o bar na época do Jota certamente conhecem Maibe Neves. Do outro lado do balcão, atrás de uma porta, lá estava ela com seu bonezinho e avental brancos, preparando os pedidos dos clientes. Maibe trabalhou 12 anos como cozinheira do bar. Quando começou no emprego, ela revela que teve um excelente professor: o garçom Mad, que também virou figurinha conhecida. Ele me ensinou tudo, lembra.
Antes de fechar negócio, Maibe tinha em mente dois nomes para a sociedade. Ela não esconde que os primeiros a serem consultados foram Mad e seu irmão, Nenê, que também trabalhou no Jota. Mas quem acertou com Maibe foi Malu, uma conhecida de mais de 10 anos, que entrou no ramo de forma inesperada. Eu tinha um contrato temporário como professora de História da UEL, conta. Agora, tenho que aliar meu novo trabalho com um mestrado em História Social na Universidade de São Paulo. A dupla promete uma boa parceria!





