O que é isso, Jabor?
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de março de 1998
Estelio Feldman 
Confesso que fiquei satisfeito quando soube que Arnaldo Jabor iria participar da cobertura da entrega do Oscar, pela Rede Globo. Experiências anteriores, de transmissões similares da própria Globo, não autorizavam boas expectativas. Mas Jabor é bom. Tem se revelado com interessantes e engraçados comentários jornalísticos e é cineasta. Quer dizer, uma aparente garantia de inteligência e capacidade para ilustrar a festa. Que decepção! Jabor deu-se ares de iluminado, atrapalhando inclusive o competente Rubens Ewald Filho.
A performance do jornalista-cineasta deve ser dividida em duas partes: antes e depois da divulgação do Oscar para o filme estrangeiro. Todos nós sabemos que o brasileiro O Que é Isso, Companheiro? concorria. E, como assinalou Carlos Eduardo Lourenço Jorge domingo na Folha2, todos estávamos torcendo pelo filme nacional, a pátria em celulóide, no dizer de Carlos Eduardo. Jabor deitou e rolou sobre o filme. Citava o Bruno (Barreto) parecendo querer mostrar intimidade com o diretor, insistia nos méritos do filme. Daí, Sharon Stone anunciou que o Oscar foi para o filme holandês. Pronto. Jabor ficou possesso. A impressão é que ele ficou como um menino emburrado quando lhe negam brinquedo. Desancou o agradecimento do holandês premiado, criticando até o fato de o cineasta lembrar os pais (coisa que quase todos os premiados fazem e ninguém critica). E passou a descer o pau em tudo. Até na apresentação dos artistas que fizeram o retrato de família, alguns dos premiados nas categorias ator, atriz e coadjuvante nos 70 anos do Oscar. Muito longo, disse ele. Quem salvou a cena foi o Rubens Ewald Filho que antes já havia identificado os filmes de um clipe com alguns dos premiados ao longo dos anos e, quando eram mostrados os artistas, identificou um a um, fazendo o que deve ser feito neste tipo de transmissão.
Para fechar com chave de lata, os três participantes da cobertura (incluindo o Renato Machado) passaram a impressão de não ter assistido ao superpremiado Titanic. Criticaram violentamente James Cameron quando bradou ao receber como melhor diretor Eu sou o rei do mundo. E só depois dos comerciais corrigiram-se, informando que a frase é do personagem vivido por Leonardo DiCaprio num dos momentos bonitos do filme. Dor de cotovelo também provoca amnésia.


