O que é arte, afinal?
Quem, diante de um quadro, já não se perguntou: mas isso é obra de arte? E não é para menos. Há casos em que parece não restar a menor dúvida, mas em outros...
ReproduçãoCom o objetivo de realizar um trabalho voltado à prestação de serviços e oferecer definições que levem o público a conhecer um pouco mais sobre o assunto, o jornalista, professor e crítico de arte Frederico Morais lançou, recentemente, o livro Arte É o Que Eu e Você Chamamos Arte, pela Editora Record.
Em 320 páginas, são oferecidas 801 definições que destacam a variedade dos princípios estéticos e das funções da obra. De Sócrates a Robert Hughes, passando por Charles Baudelaire e Marcel Duchamp, Morais percorre 2 mil anos de História, revisitando todo o material reunido em 40 anos de trabalho em jornais, salas de aula, galerias e museus. Segundo o autor, a obra, a exemplo de seus trabalhos anteriores, não foi escrita estritamente para os colegas críticos, e sim para o público em geral. Pela minha formação jornalística, procuro sempre escrever da maneira mais compreensível. A gente nunca sabe exatamente para quem estamos escrevendo.
Frederico Morais diz que em todos estes anos dedicados à arte sempre procurou incentivar as pessoas a conhecerem mais sobre os muitos tipos de manifestações culturais. Depois de ler as centenas de definições selecionadas no livro, qualquer leigo terá, pelo menos, uma noção dos vários aspectos ligados à produção artística presentes na obra, divididos em 19 capítulos, que abordam desde a estética, passando pelos meios de expressão, arte antiga, arte moderna, vanguarda e crítica de arte, entre outros temas.
O autor admite que muitas vezes as definições se articulam fazendo emergir tensões e conflitos entre elas ou aproximações imprevistas, o que é normal na opinião de Frederico Morais. Depois de tantos anos dedicados ao assunto, ele chegou à conclusão que a arte é frequentemente contraditória, nunca completa, a ponto de confessar, sem receio: Devo dizer que eu também não sei mais o que é arte.
Por isso, as 801 definições selecionadas por Morais não esgotam as possibilidades de se conceituar o assunto. Uma das teses subjacentes ao livro é justamente a que afirma a impossibilidade de abarcar com uma ou mais definições o universo extremamente amplo e complexo da arte. Ele diz inclusive que o próprio leitor, como sugere o título do livro, pode acrescentar novas definições, cuja validade não será certamente menor que a formulada por críticos, historiadores e especialistas.
Pelo mesmo motivo o autor confessa ser muito difícil selecionar, entre tantas, alguma definição que seja suficientemente abrangente. Entre as que mais lhes interessam, porém, ele cita a de Iberê Camargo: Os grandes artistas não queriam inovar. Queriam dar uma resposta à vida. A pintura é isso - uma resposta à vida. O artista também afirmou: Eu não nasci para brincar com a figura, fazer berloques, enfeitar o mundo. Eu pinto porque a vida dói.ReproduçãoDepois de 40 anos como crítico, Frederico Morais afirma, sem receio: Devo dizer que eu não sei mais o que é arteSilvana Leão





