O que diz Rita Ribeiro


Música de qualidade
‘‘Esse disco aponta para a direção da música brasileira de qualidade. Quando falo em qualidade não estou aqui me colocando pretensiosamente como se eu fizesse disco de qualidade em detrimento de outros. Diante do contexto, da atual situação musical do Brasil, eu quero ir para um caminho que requeira elaboração e um tempo de viabilização. É um trabalho que não tem que acontecer de uma hora para outra porque não é de forma nenhum descartável. Eu quero ir sempre para o caminho da perenidade, da duração, da maturidade e da consciência.’’

Massificação da música
‘‘As gravadoras são culpadas porque elas querem retorno imediato. Elas têm uma visão mercadológica, ou seja, elas querem vender discos. O povo nem é tão culpado porque você consome o que tem na prateleira, certo? Se o cara chapa na televisão três horas com um grupo de pagode, quatro horas de sertanejo, quatro horas de axé além de utilizar todos os canais de comunicação, você vai fazer o quê? Isso tudo envolve uma questão mais profunda que é a questão educacional.’’

Sucesso
‘‘Quem está fazendo sucesso, a Rita Ribeiro? Não, não é. É o Alexandre Pires com seu pagode; é a Carla Perez com seu programa ‘‘Fantasia’’. Eu vou fazer o quê... Aí vêm uns e outros e falam: ‘A Rita Ribeiro está num grupo seleto de intelectuais que pensam e elaboram suas idéias.’’ Nada disso. O que eu canto é muito simples.’’

Formação musical
‘‘Minha história também passa pela periferia de São Luiz do Maranhão. Lá eu ouvia muito reggae e muito Lindomar Castilho, Diana, Márcio Greik, Martinha, Núbia Lafayette, música de terreiros... E o cara da periferia não quer nem saber. Ele liga a radiola dele na maior altura e quem quer ouvir, ouve; quem não quer que tape os ouvidos. Na periferia você ouve de tudo. Minha formação musical, então, vem disso tudo aí.’’

Prazer do ofício
‘‘Eu tenho o maior prazer em fazer o que faço. Eu sei que não adianta ficar só reclamando porque sozinha não vou conseguir mudar. O que me cabe é continuar fazendo um trabalho em que acredito. Um trabalho que tenho certeza tem possibilidade de chegar em qualquer lugar, em qualquer casa independente de ser habitada por pobres ou ricos, intelectuais ou não.’’

Música em novelas
‘‘Qual é a maior vitrine do brasileiro? Então, se eu for parar numa novela vou ficar muito feliz. Agora não sei sinceramente como funciona essa máquina. Sei que existem os pormenores...Mas se vier a notícia de que vou tocar numa novela, tenho certeza que será um ganho mesmo sabendo que a televisão, às vezes, monopoliza a inteligência do brasileiro.’’

Televisão
‘‘Quero mais é divulgar o meu trabalho. Só não quero vender minha alma. Quero, sim, ir no programa do Faustão, da Hebe... No Ratinho eu não vou. Esse é o único programa ao qual eu faço restrição mesmo. Aquilo não é programa, é um circo de horrores, de deboche. Não vou e pronto.’’

Futuro artístico
‘‘O mais importante é continuar trabalhando. Isso às vezes assusta porque o mercado é tão louco, tão instável... Eu pretensiosamente acho que não corro o risco de não manter minha carreira. Espero, enfim, continuar fazendo mais discos e escrever minha história na música brasileira.’’

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