O que diz o livro
Sobre a obra Mulher de Jerusalém com Criança, da série de obras esculturais dos Passos da Paixão do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, de Congonhas (MG), os pesquisadores do livro escreveram que a imagem, ''claramente inferior à da outra mulher chorosa, não parece ser trabalho direto de Antônio Francisco Lisboa, mas de sua oficina''. Segundo o texto, ''os traços dessa imagem são mais toscos e abrutalhados, principalmente a cabeça da criança''. O texto refuta também um estudo anterior, do francês Germain Bazin, que viu ''um rosto claramente neoclássico'' na figura.
Na definição da obra Soldado Romano, também dos Passos da Paixão de Congonhas (MG), o estudo é mais categórico ao diferenciar o que é Aleijadinho e o que é sua oficina nas obras, atribuindo aos auxiliares do mestre um estilo relaxado e de pouca qualidade. ''O aspecto pouco desenvolvido do corpo magro e a inexpressividade do rosto caricatural lembram mais um manequim - marcas da imperícia.'' O verbete também comenta a inserção da peça no conjunto. ''Nas mãos, segura uma pedra que, ao que parece, estaria atirando no Senhor. Não tem função definida no conjunto da capela.''
Integrante do Passo da Crucificação no conjunto dos Passos da Paixão, em Congonhas, o Centurião São Longuinhos, da terceira fase da produção do Aleijadinho, é definido como trabalho de auxiliar. ''Trata-se de uma peça de qualidade, embora em posição estranha. (...) Falta-lhe equilíbrio. (...). O corpo, apesar do desenho do planejamento e do bom tratamento das mãos, deve ser trabalho de seus oficiais, posto que não tem a vitalidade da obra do mestre.'' O estudo também diz que a obra está fora do seu lugar, pois teria sido planejada para outra cena, a do Passo do Calvário.
Peça de propriedade do Banco Itaú, em São Paulo, a Nossa Senhora das Dores só tem de Aleijadinho a composição do rosto da figura, segundo a tese. ''A obra revela características formais da obra aleijadiana, embora não apresente a fineza no tratamento das mãos e outros detalhes.'' Segundo os pesquisadores, a peça pode ser atribuída conjuntamente ao mestre e a um de seus discípulos, o mesmo que trabalhou em Congonhas na execução das duas esculturas das mulheres do Passo da Cruz às Costas. O Banco Itaú comprou a peça num leilão da Christie's, em Nova York, em 1998.
De propriedade da Capela de Santana, no distrito de Antonio Dias, Ouro Preto (MG), a Santana Mestra foi tombada pelo Iphan em 1987, que observou laudo do especialista Jair Afonso Inácio. Mas os três pesquisadores questionam peremptoriamente a autoria. Segundo seu estudo, a peça só pode ser atribuível a um dos oficiais do escultor, por não ter a mesma qualidade das obras do mestre. ''O artesão baseou-se na obra do mestre, não conseguindo entretanto transmitir a força e a beleza plástica das outras Santanas atribuídas a Aleijadinho'', diz o texto.





