O que as crianças esperam do futuro?
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de outubro de 2018
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
Na semana que passou, as famílias brasileiras vivenciaram duas datas importantes no que se refere ao futuro do País. Enquanto mais 117 milhões de eleitores foram às urnas no dia 7 de outubro para decidir o rumo do Brasil nos próximos quatro anos, escolas e entidades representativas dedicaram tempo para promover discussões e atividades em torno das crianças, em celebração ao dia delas. Eventos distintos, mas que se conectam quando o assunto é a construção de um planeta mais solidário e sustentável.

A FOLHA foi em busca de quatro estudantes do 5° ano do ensino fundamental de duas escolas municipais - Hikoma Udihara e Hélvio Esteves - ambas na zona norte de Londrina, para saber como enxergam o mundo hoje e o que desejam para o futuro.
Para a ONU (Organização das Nações Unidas), a esperança por dias melhores é resumida em um relatório, cujo conteúdo são objetivos a serem alcançados nos próximos 12 anos. O documento "O caminho para a dignidade em 2030", traz como pilares a erradicação da pobreza, transformação de vidas e proteção do planeta.
Para os alunos ouvidos pela FOLHA, o melhor caminho para o futuro do planeta, em todos os sentidos, é a honestidade e os esforços coletivos. Aos 10 e 11 anos, eles valorizam a ideia de que "a união faz a força" e associam a política a algo muito ruim, citando a corrupção e o roubo de dinheiro, considerando a fala dos pais e as notícias que leem e assistem.
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Eles também demonstram grande consciência sobre o meio ambiente, principalmente na questão do consumo de água e produção de lixo, e sobre a importância do respeito ao próximo. Eles falaram sobre bullying, aceitação das diferenças e limites para "brincadeiras".
Para as diretoras das duas escolas, essa percepção de mundo é ampliada com projetos direcionados, seja por meio de oficinas pedagógicas no contraturno escolar ou por atividades complementares em parceria com órgãos representativos.
Na escola Hikoma Udihara, por exemplo, 505 alunos de educação infantil e fundamental I participaram recentemente do concurso de desenho e redação "Ser honesto é legal", promovido pelo CGU (Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União). A iniciativa chegou à 10ª edição com "o objetivo de despertar nos estudantes o interesse por assuntos relacionados ao controle social, à ética e à cidadania, por meio do incentivo à reflexão e ao debate desses assuntos nos ambientes educacionais".
A escola também foi a única da rede pública municipal a participar do projeto "Parlamento Jovem", com a turma do 4° ano. Pelo programa, alunos são eleitos vereadores mirins para receberem em 2019, formação a respeito do Poder Legislativo e da função de um vereador, aprendendo sobre a elaboração de leis, o orçamento público e o controle social.
O projeto é uma ação da Escola Judiciária Eleitoral do Paraná junto com os cartórios eleitorais, Secretaria de Educação do Estado do Paraná, Tribunal de Contas do Estado do Paraná e as Câmaras Municipais das cidades participantes.
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"Buscamos trazer para a sala de aula, as discussões que os alunos encontram no próprio meio. Elas servem como um gancho para o conteúdo fixo. Para ajudá-los no concurso "Ser honesto é legal", por exemplo, utilizamos matérias do jornal e trabalhamos o conceito das palavras autonomia, ética, moral. A questão da corrupção foi uma das questões mais discutidas", comenta a professora do 5° ano, Evelyn Galhardo.
Na escola Hélvio Esteves, os 239 estudantes do ensino integral do fundamental contam ao longo do ano, com diversas oficinas pedagógicas, com temáticas que cursam por saúde e alimentação, empreendedorismo, esportes, artes visuais e cênicas, educação ambiental, entre outros.
"A ideia é levá-los à reflexão de que toda ação no meio ambiente sempre terá uma consequência e o objetivo é que eles levem esse conhecimento para a casa, para a família", diz a professora regente da oficina de educação ambiental, Marisa da Silva.


