O que aconteceu de melhor e pior na telinha, em 96
TV Press
Em 96, o Brasil não teve tempo. Carnaval emendou com Olimpíadas que emendou com eleições que emendou com o Natal e, agora, se prepara para 1997. Em anos de eventos como esse, o que costuma acontecer na tevê é o jornalismo ganhar um grande destaque. E 1996 seria assim mesmo. Só não foi totalmente por que a Manchete saiu do tom. O diretor Walter Avancini conseguiu levantar a teledramaturgia da emissora. O processo começou, na verdade, em 1995, com Tocaia Grande, mas se consolidou este ano com Xica da Silva, que conseguiu por volta de 10 pontos no Ibope.
De qualquer forma, o jornalismo encarou mudanças na Globo. Não substanciais, mas formais. Cid Moreira foi elegantemente aposentado. Ou seja: virou papagaio de luxo de Evandro Carlos de Andrade ou do próprio Roberto Marinho. Nas Organizações Globo costuma-se dizer que a pessoa caiu para cima. Ela sai do caminho, mas não é execrada publicamente. Era o mínimo que o locutor merecia, depois de anos a fio de serviços absolutamente acríticos à emissora.
O efeito desta transformação teve bons e maus aspectos. O bom é que finalmente os telejornais da emissora passaram a contar com jornalistas na apresentação, como já acontecia com todos os outros canais. No caso, Lílian Witte Fibe e William Bonner no comando do Jornal Nacional, Fátima Bernardes no Jornal Hoje e Mônica Waldvogel no Jornal da Globo.
O ruim é que o novo mandão no jornalismo da emissora, Evandro Carlos de Andrade, trouxe consigo de O Globo velhos hábitos arraigados em alguns jornalistas veteranos e incompreensivelmente poderosos, como o de arrastar sua patotinha para onde quer que vá.
Foi neste contrabando, por exemplo, que Arnaldo Jabor consegue exercitar sua verborragia por preciosos minutos do horário nobre. E no fundo, no fundo, as matérias continuam olímpicas, sem muita informação, e recheadas de closes que exploram o drama humano.
Outras emissoras também tentaram tímidas mudanças. O SBT chegou a contratar um consultor americano para reformular o Jornal do SBT. Ficou tão ruim que em menos de uma semana o programa voltou ao seu formato original. Mas apenas por alguns meses, já acaba de ser detonado da emissora de Sílvio Santos juntamente com uma série de outros programas que depõem contra a imagem nova que Sílvio quer impor à sua emissora, deixando de lado o perfil brega. Na Band a novidade ficou para 97: a entrada de Paulo Henrique Amorim para comandar o jornalístico mais importante da emissora, o Jornal Bandeirantes, e ainda um jornalístico dominical.
Na linha de shows, apenas uma novidade digna de nota: Sai de Baixo. O programa causou polêmica pela guerra de egos do elenco e pela baixaria temática, mas alcançou o objetivo de derrubar a audiência do terceiro-mundista Topa tudo por dinheiro, do SBT, no domingo à noite.
Na dramaturgia, além de Xica da Silva, novidade mesmo só mesmo o quadro A vida como ela é, exibido no Fantástico. Mas talvez nem a genialidade de Nelson Rodrigues e a competência do diretor Daniel Filho consigam salvar os esquetes da pantomima de jornalismo que se tornou o dominical da Globo.
No SBT a coisa foi ainda pior. Só para dar uma idéia, Silvio Santos chegou a ameaçar o público com novelas mexicanas. A seguir, a relação dos melhores e piores da TV em 96, escolhidos por jornalistas de vários veículos de comunicação, a pedido da
Agência Tv Press.





