A poucos dias de sua realização em Porto Alegre, o Fórum Social Mundial contará com a presença de intelectuais como o norte-americano Noam Chomsky e a canadense Naomi Klein
Uma extensa programação aguarda os participantes no Fórum Social Mundial. O norte-americano Noam Chomsky é a grande estrela do encontro, que será realizado entre 31 de janeiro e 5 de fevereiro em Porto Alegre (RS) reunindo militantes e simpatizantes de esquerda em torno da bandeira da anti-globalização.
O Fórum inclui conferências, mesas-redondas, oficinas, lançamentos de livros e atividades culturais. Teve sua primeira edição no ano passado sucedendo às grandes manifestações de protesto ocorridas em Seattle, Washington e Praga. É organizado por ONGs, sindicatos, associações e os mais diversos grupos dissidentes da sociedade civil.
Foi criado com o objetivo de propor um modelo alternativo à nova ordem capitalista. O nome surgiu como contraponto ao Fórum Econômico Mundial, tradicionalmente realizado em Davos, na Suíça, abrigando a nata política e empresarial do planeta. A exemplo do ano passado, espera-se a participação de um grande número de jovens ativistas, que serão recepcionados no Acampamento Intercontinental da Juventude.
A Noam Chomsky foi incumbida a tarefa de abrir a sessão de conferências. Aos 73 anos, ele continua um ferrenho crítico da mídia corporativa e um incansável opositor da política externa norte-americana. É professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), onde ganhou reputação já na década de 50 ao colocar a linguística sobre novas bases defendendo a faculdade inata do ser humano para a aquisição de linguagem.
A partir dos anos 60, quando participou dos protestos pacifistas contra a Guerra do Vietnã, passou a dividir as pesquisas especializadas no Departamento de Línguas com a militância intelectual atacando as intervenções norte-americanas nos países do Terceiro Mundo. Durante anos, foi banido da grande imprensa de seu país.
Mas mesmo o jornal The New York Times, ao qual ele nunca poupou em seus escritos acusando-o de cumplicidade com os donos do poder, viu-se obrigado a reconhecê-lo em 1996 como ‘‘o mais importante intelectual vivo da atualidade’’. Neste mesmo ano, Chomsky visitou o Brasil, quando defendeu a interrupção do pagamento da dívida externa brasileira.
No ano passado, provocou controvérsias ao assinar uma carta de apoio ao Movimento dos Sem-Terra em relação à cobrança de 3% sobre financiamentos recebidos do governo por produtores assentados. Ainda por aqui, teve vários livros publicados pelas editoras Artmed e da UNB, entre eles ‘‘Os Caminhos do Poder’’, ‘‘O Que o Tio Sam Realmente Quer’’ e ‘‘Novas e Velhas Ordens Mundiais’’.
Além de Chomsky, outra celebridade aguardada em Porto Alegre é a jornalista canadense Naomi Klein, que vai lançar no evento o livro ‘‘Sem Logo – A Tirania das Marcas em um Planeta Vendido’’ (Record). No exterior, a publicação chegou a ser resenhada como ‘‘O Capital da geração-Seattle’’. Naomi passou a infância obcecada por marcas e anúncios e tinha verdadeira adoração pelos letreiros fluorescentes de grandes companhias de petróleo e pequenas etiquetas de roupas.
Depois de adulta, a atração virou repulsa e ela passou a se dedicar à análise e desmontagem dos mecanismos publicitários. Seu livro investiga o assunto e mapeia as manifestações anti-globalização que pipocaram pelo mundo nos últimos anos.

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