O público, numa roubada
''Gatos Numa Roubada'' e ''O Céu Pode Esperar'', lançamentos nacionais (veja a programação de cinema na página 5), são um par de bobagens rejeitadas já partir da origem - ambos mal se pagaram no mercado americano, e foram expulsos do circuito de lá por absoluta incapacidade de auto-gestão. Agora estão por aqui, impostos pela perversidade da Motion Pictures Association, esta entidade que está ameaçando até mesmo interferir no processo de criação de nossos filmes, como retaliação contra a lei protecionista brasileira que vai regular a remessa de lucros das major hollywoodianas.
Se há um prêmio anual de baixaria, em 2001 o dono disparado é ''Gatos Numa Roubada''. Aqui o argumento. Sete amigos do peito apostam mil dólares: o último a permanecer solteiro leva o dinheiro, que engorda e chega a U$ 500 mil depois de investimentos em fundos. No decorrer da história, alguns vão se rendendo ao casamento, outros resistem, outros planejam uma falcatrua para ficar com a bolada.
A proposta é sexista, a comédia inexiste sob qualquer aspecto - um gordo que está sempre caindo e um homem procurando um testículo cortado são as peças de resistência - e as interpretações não servem nem como paródias.
Ser ou não ser fã de Chris Rock. Esta dúvida não deve atormentar o espectador na porta do cinema. Portanto, economize seu dinheiro. Chris é aquele policial negro, magricela, a emitir sons os mais diversos em ''Loucademia de Polícia'', edições variadas. Muita gente ria muito, e por isso ele foi elevado ao status de aspirante a Jim Carrey, o que, convenhamos, não é nenhum Prêmio Nobel do humor. O ator está no centro da trama de ''O Céu Pode Esperar'', refilmagem de grande e merecido sucesso de Warren Beatty em 78. O personagem morre antes da hora, vai para o céu e aceita voltar em outro corpo, de um executivo branco. Os irmãos-diretores Paul e Chris Weitz, de ''American Pie'', erraram feio a mão e puseram nas costas de Chirs Rock um peso como intérprete articulado que ele definitivamente não tem. Para completar, o resto está entregue uma clicheria computadorizada.(C.E.L.J.)





