O psicodelismo ainda pulsa
Nelson Sato
de Londrina
A ânsia de experimentação dos anos 60 foi suprida. A bálsamo psicodélico atende pelo nome de Black Foliage: Animation Music (importado), segundo álbum da banda norte-americana Olivia Tremor Control.
O CD, uma trip movida a 27 cápsulas, alterna canções melódicas e vinhetas encharcadas de ruídos de videogames. Guitarras, violinos, cellos, xilofones, piano e clarinetes disputam espaço nas faixas com a manipulação de tapes pré-gravados e efeitos eletrônicos.
A algazarra dá continuidade ao trabalho anterior Music From The Unrealized Film Script Dusk at Cubist Castle, lançado há dois anos. As harmonias vocais lembram os Beatles, mas os Byrds também aparecem como influência nos arranjos.
O material impressiona pelo excesso de informação sonora, com camadas de timbres e texturas poluindo muitas vezes a melodia. Neste laboratório de colagens, há passagens assobiáveis - notadamente em faixas como Hideway, Grass Canons, I Have Been Floated e A Place We Have Beem To - e pausas intragáveis. Mas, entre umas e outras, o efeito nos tímpanos é devastador.





