A contação de histórias surgiu a partir do momento em que o homem sentiu necessidade de contar ao outro suas experiências, tradições e lendas para a preservação de sua cultura. "É dessa tradição oral que surgem os contos de fadas. Somente a partir do século XVII que profundas mudanças estruturais na sociedade desencadearam no surgimento da literatura infantil como gênero. Com a ascensão da família burguesa, a criança ganha novo status na sociedade e a escola foi reorganizada. Nessa época, os contos foram reelaborados e adaptados para servirem a propósitos pedagógicos dentro dos objetivos de manutenção das ideologias e ideais burgueses, com um caráter moralista, formador e pedagógico", explica Eliane Provate Queiroz Martins, mestre em Estudos da Linguagem, professora de Língua Portuguesa e Inglesa da Unopar e Coordenadora do Centro de Línguas Estrangeiras Modernas (Celem) da Secretaria Estadual de Educação (Seed) no Núcleo Regional de Educação de Londrina.
Em entrevista por e-mail, a docente destaca que as histórias não têm necessariamente que transmitir conceitos moralizantes ou juízos de valor. "O principal objetivo deve ser sempre o prazer, o deleite, o despertar da imaginação e da fantasia. Através das histórias a criança melhora sua comunicação, amplia conhecimento e desenvolve a criticidade, a capacidade de analisar, tecer comparações e desenvolver sua autonomia como leitor e cidadão", salienta Eliane.
Segundo ela, para que uma história realmente prenda a atenção da criança, deve entretê-la e despertar sua curiosidade. "Literatura é prazer, deleite, se começarmos a ler contos de fadas para as crianças sempre com o intuito de ensinar uma moral a leitura deixará de ser prazerosa, portanto, não deve ser esse o objetivo principal, mas enriquecer sua vida, estimular-lhe a imaginação; ajudá-la a desenvolver seu intelecto e a tornar claras suas emoções; estar harmonizada com suas ansiedades e aspirações e sugerir soluções para os problemas que a perturbam", afirma.
Eliane ressalta que os pais podem iniciar a contação de histórias desde bebês. "Hoje em dia há uma vasta literatura para todas as idades. Deve-se buscar as histórias mais adequadas à faixa etária e nível de compreensão. É importante também deixar a criança manusear o livro, explorar ilustrações e especular sobre os personagens. (M.R.)

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