O primeiro no pandeiro
O primeiro no pandeiro
Prêmio Sharp
de Música
homenageia
Jackson do
Pandeiro que
influenciou
grandes
compositores
da MPB
Ranulfo Pedreiro
Reprodução
Jackson do Pandeiro
foi músico de
sucesso e ator,
nos anos 70 começou
seu ocaso até
morrer esquecido em 82Nascido no interior da Paraíba, o garoto José Gomes Filho só pensava em aprender a tocar sanfona. A mãe, Flora Mourão, uma cantora de coco, sossegou o menino com um artifício mais econômico: um pandeiro. Já na adolescência, morando em Campina Grande, José Gomes começou a cantar e se acompanhar no instrumento por pura diversão.
Os elogios começaram a pipocar e Gomes se apresentou em bares e cabarés, até ser convidado para tocar na Rádio Tabajara, de João Pessoa. Fã de filmes de faroeste, o garoto se apresentava como Jack do Pandeiro. Quando foi contratado pela Rádio Jornal do Comércio, em Recife, adotou Jackson, seguindo palpite do patrão.
Jackson do Pandeiro cantou cocos e emboladas pontuando o ritmo em síncopes, ora adiantando, ora atrasando a batida, brincando com o compasso. O sucesso veio em 1953 com Sebastiana, de Rosil Cavalcanti.
Em sequência estourou com Forró em Limoeiro, de Edgar Ferreira, compositor que Jackson do Pandeiro gravou com assiduidade. É de Ferreira a clássica 1 x 1, embolada que revela o fanatismo de um torcedor que não aceita o empate como placar final de uma partida de futebol. A música foi regravada por vários intérpretes, inclusive pelos Paralamas do Sucesso em Bora-Bora.
Ainda morando em Pernambuco, Jackson do Pandeiro se apaixonou por Almira Castilho de Albuquerque, dançarina e cantora com a qual formou dupla. O sucesso aumentou e ambos foram para o Rio de Janeiro, cidade que influenciaria definitivamente o músico.
No Rio, Jackson do Pandeiro conheceu a malandragem e o samba carioca, mesclando-o com os ritmos que trazia do Nordeste. Nessa época, compôs um estilo visual que se tornaria sua marca: chapéu de lado, camisa listrada com mangas arregaçadas até o cotovelo, lenço no pescoço e o inseparável pandeiro ditando a marcação. Durante as apresentações, ensaiava passos sensuais com Almira.
Nessa época surgiram sucessos como Coco do Norte e Eta Baião. Jackson do Pandeiro também foi ator, participando de filmes como Tira a Mão Daí, ao lado de Ângela Maria e Dircinha e Linda Batista.
Mas o casamento com Almira não foi para frente. Sentindo a separação, Jackson entrou para a Rádio Globo e passou a viver com a cantora Neusa. Sua produção musical diminuiu e, aos poucos, sua carreira foi encerrada. Já na década de 70, aparecia eventualmente, convidado por admiradores como Gilberto Gil e Alceu Valença. O cantor nordestino viveu esquecido até 1982, quando morreu de embolia cerebral.
O legado de Jackson do Pandeiro inspirou muitos compositores da Música Popular Brasileira. É dele a influência no cantar percussivo de João Bosco, nas quebras de ritmo das letras e composições de Tom Zé e na concepção do álbum Expresso 2222, de Gilberto Gil. É considerado um dos maiores músicos nordestinos, ao lado de João do Vale e Luiz Gonzaga.
Agora, cerca de 15 anos após sua morte, Jackson do Pandeiro está voltando à tona. Tom Zé dedicou-lhe o último disco, e fez um verdadeiro esforço de divulgação de sua obra. E o Conselho Diretor do Prêmio Sharp de Música, composto por Dorival Caymmi, Júlio Medaglia, Gilberto Gil, Paulo Moura, Rita Lee, Zuza Homem de Mello e José Maurício Machline escolheram Jackson do Pandeiro como o grande homenageado deste ano.
O Prêmio Sharp já homenageou Vinícius de Moraes, Dorival Caymmi, Maysa, Elizeth Cardoso, Luiz Gonzaga, Ângela Maria, Cauby Peixoto, Elis Regina e Milton Nascimento, entre outros. A 11ª Edição do Prêmio Sharp de Música, um dos mais importantes do País, será realizada no dia 13, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
O prêmio será entregue aos artistas que mais se destacaram no setor fonográfico brasileiro em 1997. Os concorrentes foram selecionados entre 960 álbuns lançados, e estão concorrendo a um total de R$ 96 mil.
O Prêmio Sharp está dividido em categorias com várias premiações, incluindo MPB, samba, pop-rock, canção popular, regional, instrumental, infantil, clássico e especial. Os finalistas foram selecionados por um júri composto por 25 profissionais ligados ao mercado fonográfico, que distribuem notas de 0 a dez aos concorrentes.
Além da homenagem do Prêmio Sharp, Jackson do Pandeiro teve também dois álbuns lançados em CD pela Copacabana, com gravações originais remasterizadas. Sua Majestade, o Rei do Ritmo traz sucessos como Sebastiana, Canto da Ema e Forró em Caruaru. Forró do Jackson destaca Êta Baião e Forró em Limoeiro, entre outros. O relançamento de discos de Jackson do Pandeiro coincide com a ascensão do forró, ritmo que o músico ajudou a criar e que se tornou uma das apostas do mercado fonográfico para este ano.





