O primeiro era melhor
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quinta-feira, 31 de maio de 2001
Celso Mattos De Londrina 
A onda de refilmar sucessos do passado continua a todo vapor em Hollywood: As Panteras, Perdidos no Espaço e, agora, Shaft, que acaba de ser lançado em vídeo. Nos anos 70, Shaft entrou para a história como um dos primeiros filmes em que a participação de um ator negro não se resumia a viver um engraxate, um faxineiro ou um bilheteiro de cinema. A produção teve a ousadia de trazer um protagonista negro (Richard Roundtree) no papel principal.
Na época o longa fez muito sucesso e acabou abrindo as portas para atores como Denzel Washington, Will Smith, Cuba Junior e Wesley Snipes. O novo Shaft traz o ator Samuel L. Jackson vivendo o sobrinho do detetive original dos anos 70. John Shaft (ele tem o mesmo nome do tio famoso) trabalha na polícia de Nova York e investiga um crime racial, cometido pelo filho de um figurão da cidade.
Se existe um motivo para assistir a Shaft ele se chama Samuel L. Jackson. Não há dúvida que o ator foi a escolhar perfeita para o papel. O grande problema desse remake está na direção. Nas mãos de John Singleton que não fez nada de bom depois de Os Donos da Rua o filme virou aquele eterno conflito entre negros e brancos. Pior, ele defende uma idéia perigosa. Na visão do diretor, a luta entre negros pobres e brancos ricos está longe de ser resolvida na justiça, sendo que a saída é apelar pela luta amarda.
Além disso, existem no filme alguns detalhes inexplicáveis: Shaft é um policial que tem casa na praia e anda para cima e para baixo com belos ternos Armani, que certamente custam muito mais caros do que o salário de um policial (mesmo americano) pode pagar.
O grande mérito desse longa de ação é que mesmo ambientado na Nova York de hoje, Shaft mantém o tratamento de uma aventura dos anos 70: poucos efeitos especiais e muito closes. Funciona bem como diversão passageira, mas não tem o impacto do filme original. Vale lembrar que a Warner está lançando em vídeo o primeiro Shaft. Lançamento CIC. Duração: 99 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
ReproduçãoO Rei Está Vivoé o quarto filme do Dogma 95, da Dinamarca, mas não é tão bom quanto os anteriores
O Rei Está Vivo
Que tal encenar Rei Lear de Shakespeare quando se está morrendo de sede e fome no deserto? Essa é a proposta de O Rei Está Vivo, quarto filme do Movimento Dogma 95, da Dinamarca, dirigido por Kristian Levring. O filme não está no mesmo patamar dos anteriores, mas é nele que as leis do Dogma mais se fazem presentes e menos interferem na qualidade do produto final. A trama se desenrola numa vila fantasma no meio do deserto da Namíbia, na África, uma locação onde não há elemento de cena, música, nem iluminação artificial.
Os personagens são passageiros de um ônibus de turismo que enguiçou por falta de combustível. Com pouca comida ou água e cercado por dunas ameaçadoras, eles são obrigados a viver em circunstâncias adversas. Como forma de passar o tempo, o grupo resolve dramatizar peça Rei Lear no meio do deserto. Com isso, eles começam a perceber que o texto fala deles. Os conflitos explodem, a sexualidade alfora e o grupo passa a se comportar com o senso dramático dos personagens de Shakespeare. Na verdade, eles estão vivendo o momento mais trágico de suas vidas. Lançamento da Cult Filmes. Duração: 109 mintuos.
ReproduçãoMaitê Proença interpreta uma mulher que colocar em prática suas teorias de liberdade
Tolerância
É a história de um casal que confronta suas civilizadas teorias sobre sexo e política com a realidade. Mas descobre que nem o mundo e nem eles mesmo ainda são suficientemente civilizados. Tolerância, dirigido por Carlos Gerbase, que fez Verdes Anos, tem no elenco Maitê Proença e Roberto Bomtempo. É uma trama moderna, repleta de sensualidade, ação e mistério. Um filme envolvente.
Júlio (Bomtempo) e Márcia (Maitê Proença) formam um típico casal moderno. Eles querem apenas criar a filha e viver livres. Mas quando Márcia começa a ter um caso com um homem acusado de assassinato e Júlio passa a flertar com a amiga da filha, os conceitos de liberdade de civilidade começam a entrar em conflito, abrindo caminho para um desfecho desastroso. Lançamento da Columbia. Duração: 100 minutos.


