O premiado telejornalismo em defesa dos direitos humanos!
Os repórteres de televisão Caco Barcelos, Ney Inácio e Domingos Meirelles foram os ganhadores do prêmio Vladimir Herzog de 96, entregues em São Paulo, recentemente, durante concorrida cerimônia aberta pelo governador Mário Covas, no Parlamento Latino-Americano. Na mesma ocasião foi prestada homenagem de despedida a dom Paulo Evaristo Arns, que se aposentou como titular da Arquidiocese paulistana. Os jornalistas foram considerados os melhores do ano na tv brasileira. Foram inscritos 240 trabalhos.
Há 18 anos
O prêmio Vladmir Herzog, criado há 18 anos, premia os melhores trabalhos anuais ligados à defesa dos Direitos Humanos, entre todas as emissoras de telejornalismo do Brasil e da América Latina. É uma espécie de Prêmio Esso para as televisões. Caco Barcelos ganhou com a reportagem sobre os autores do atentado do Rio Centro. É reporter da Rede Globo e dizem que é o mais bem pago do Brasil. Deve ganhar em torno de 30 mil reais mensalmente. Ele levou cinco meses para conseguir todos os detalhes da importante matéria. E depois teve que esperar o OK de sua editoria. O trabalho de Ney Inácio, o principal repórter da Rede CNT, atualmente, tratou dos hansenianos de Pitanga, aqui no Paraná. O que causou inclusive protestos, passeatas, procissão e etc. naquela cidade. Hoje em dia estão tratando os doentes a nível de Governo Federal. Ney ficou quinze dias afastado de Curitiba em virtude de telefonemas ameaçando-o de morte. O terceiro premiado foi Domingos Meirelles, ex-Globo, recém-ingressado no SBT, com a reportagem sobre roubo de caminhões mostrando a trajetória dos marginais entre o Brasil e o Paraguai.
Risco de Vida
Durante a cerimônia e depois no jantar, após a exibição das reportagens num telão especial, os repórteres conversaram muito sobre o risco de vida que correm para fazer tais coberturas para suas emissoras. São matérias investigativas, solitárias, que exigem muita coragem. Nenhum deles tem seguro de vida. A tensão é sempre uma constante. E a preocupação da família é diária.
Familiares dos repórteres também já sofreram ameaças contra suas vidas.
Ney Inácio já trocou três vezes o número do seu telefone. A mesma matéria sobre a hanseníase no Paraná rendeu a Ney diploma da Assembléia Legislativa do Estado e uma comenda da Câmara Municipal de Curitiba. Este foi o primeiro prêmio Vladimir Herzog de Caco Barcelos. De Domingos Meirelles foi o primeiro também. Mas Ney Inácio ganhou pela quarta vez.
Os quatro prêmios
Os quatro prêmios Vladimir Herzog que Ney Inácio ganhou foram os seguintes: em 85, com o tema Miséria, feito para a TV Globo Oeste Paulista, de Bauru; o segundo sobre Crianças no Trabalho, para a TV Ribeirão Preto, outra filiada da Rede Globo no interior paulista; e uma sobre Injustiça Social, para a Globo de São Paulo, mostrando o povo que nascia, crescia e vivia no lixo. E esta última agora pela CNT. Ney Inácio é formado em Londrina pela UEL e está há 17 anos fazendo televisão. Em fevereiro vai para o Rio, de acordo com novos entendimentos com a CNT. Ney Inácio passa férias em Londrina, onde mora a família. Da turma de Ney no curso de Jornalismo na UEL, fizeram parte Elisiê Peixoto, Ana Marta Garcia, Carmen Kley, Dulcinéia Novaes e Wilson Serra.





