O prazer do texto e do mundo segundo Millôr
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de outubro de 2001
Rodrigo Souza Grota<br> De Londrina 
O prazer do texto é um dos poucos motivos que impulsionam os leitores a abrir o jornal. E, certamente, o jornalista a manter seu ofício. Ritmo ágil, palavras bem encaixadas, frases saborosamente formuladas. Qualidades que faltam à imprensa do dia-a-dia e que sobram ao escritor de quase sempre. Eis o que se encontra em uma página perdida pelo universo da web - o endereço www.uol.com.br/millor/home.htm, o ''saite'' (como ele gosta de grafar) oficial de um dos últimos grandes jornalistas que nosso País já leu, Millôr Fernandes.
É da turma do Pasquim, o incendiário folhetim que nos chegou por volta dos 70 e até hoje motiva lembranças. Por vezes comentando os traços de Jaguar, outrora a linha reacionária e inigualável de Franz Paul Tranin Heilbron. Conhece? Sim, você conhece, é Paulo Francis, o mesmo que encerrou seu afeto pelo socialismo e mudou-se para Nova Iorque, presenteando-nos duas vezes por semana com diatribes e pensamentos afiados, inteligentes e por consequência demolidores.
Entre as duas mentes brilhantes houve um encontro, que gerou uma amizade duradoura. Em um momento especial da página, encontra-se uma reminiscência que Millôr construiu acerca de seu amigo Paulo Francis. É um texto que procura inventar o Francis que todos não queriam, o Francis que ele era. Arrogante, arrojado, generoso e culto. Millôr aponta as qualida-defeitos no jornalista e mostra que sua caneta não é sõ tão criativa para direcionar linhas e moldar sombras. Millôr é completo.
Essa infinitude de talentos se espalha pelos links dispostos em sua homepage: charges, colaborações, textos sobre amigos, dicionário, economia, fábulas fabulosas, frases - uma das grandes aptidões de Millôr é criar essas frases - hai-kais, humor negro, história do paraíso, suas aventuras literárias no Pasquim, poemas, postais, teatro e sexo. Falta algum tema? Calma, há de tudo na tela que Millôr pinta do seu mundo, um mundo prazeroso aliás.
Em seu dicionário, ele explica que ''muitas palavras portuguesas começadas em Al provêm do árabe, a começar pelo próprio al, artigo o. Alafia, misericórdia ou penico (Pediu alafia ao adversário), almofada (de al-muhadda), alforria (de al-hurria, libertação), alfinete (de al-hilal), alfândega (de al-fundega), alfaiate (de al-haiate) e assim por diante''. E arremata: Al-caguete é invenção nossa.
Há seções especiais com clássicos do Millôr, poesia matemática, apotegmas do vil metal (''nem toda a riqueza do mundo dá pra comprar toda pobreza do mundo''), seu peculiar ABCdário, ''conpozissõis imfãtis'' (''montanha é uma coisa que a gente chega muito cansado lá em cima''). E prá finalizar, uma pesquisa no melhor estilo Millôr: Você acha que: a) daqui só pra pior; b) daqui só pra melhor ou c) sempre sobram os planetas? Se você não quiser reponder, saboreie a síntese de nossa esquerda em outra indagação de Millôr: O PT tem que decidir de uma vez por todas - é da esquerda de quem vem ou da esquerda de quem vai?
Guie seu mouse
*** Se você procura literatura, e de alta qualidade, visite o planeta hospedado no endereço http://planeta.clix.pt/letras/. Olha só os autores que por lá escrevem: Oscar Wilde, Bernard Shaw, Nicolai Gogol, Fiodor Dostoievski, Gustave Flaubert, Guy De Maupassant, Edgar Allan Poe, E.T.A. Hoffmann entre outros. Há também listas de prémios literários e possibilidades de compra de livros.
*** Você quer ser diretor de cinema e quer saber os grandes segredos dos mestres? Impossível. Não há site que isso revele. Mas há opções em que trechos de roteiros e depoimentos podem sugerir pistas. O sítio www.godamongdirectors.com traz boa documentação sobre Quentin Tarantino, John Woo, Robert Rodriguez, Martin Scorsese e Kevin Smith, alguns dos principais nomes do atual cinema americano.
*** Quando o assunto é máfia, o endereço www.jgeoff.com, criado e mantido por J.Geoff Matt, traz suporte biográfico considerável sobre a trilogia de Francis Ford Coppola, ''O Poderoso Chefão''. Que aliás, acabou de sair em DVD, com um formidável documentário registrando a criação do filme.
Envie sugestões para [email protected]


