Em entrevista à Folha2, a cantora comenta sobre o lançamento e as limitações do mercado fonográfico brasileiro
O que estimulou você a lançar um disco de remixes?
Daúde: O remix é muito familiar na minha carreira, porque tanto o primeiro disco com as músicas ‘‘Chove Chuva’’ e ‘‘Véu Vavᒒ quanto o CD promocional com as versões de ‘‘Pata Pata’’ (do segundo disco) já traziam esse formato. Por ter essa referência no meu trabalho, pensei agora em consolidar um disco inteiro de remixes direcionado às pistas. O bacana nesse tipo de trabalho é que você sempre se surpreende com a nova interpretação, com o novo arranjo, com a montagem.
Você planeja nortear seu próximo trabalho também nessa busca pelo apelo dançante?
É um caminho, mas acho que esse disco em particular pode ser ouvido em casa, no carro, em qualquer lugar e não necessariamente num clube noturno. É claro que tecnicamente ele tem essa conotação para pista bem definida, mesmo porque um disco de remixes prioriza muito as linhas de baixo e os loops de bateria, além de colocar a voz à frente e apenas na forma de fragmentos. Mas, na verdade, a música brasileira toda é dançante. Dominguinhos, por exemplo, leva você ao forró sem nenhuma levada remixada. As próprias faixas lentas do meu primeiro disco mexem com a cintura. A música brasileira tem essa preciosidade por ser rítmica.
Você mesma escolheu os produtores ou houve sugestão da gravadora?
Fui eu mesma que escolhi, porque já tinha trabalhado com todos eles, além de respeitá-los artisticamente. Foi fácil trabalhar com eles. Não fui co-autora, mas participei como uma espécie de supervisora. A característica de remix é ser autoral. Você leva as fitas para o produtor e ele faz o trabalho, interpretando a canção do jeito que quiser e depois mostra para o artista ou para a gravadora. No meu caso, como já tínhamos uma ligação artística, eles me consultavam, algumas vezes por telefone mesmo. Eu ouvia as amostras e dava sugestões: ‘prioriza mais isso, acho que tem que repetir mais essa frase’, ‘o teclado pode entrar mais vezes nessa música’ e por aí vai. Fiz uma interferência relax.
Você já fez várias apresentações na Europa. Que diferenças você percebe entre o mercado fonográfico daqui e de fora?
A diferença básica é que lá as pessoas têm possibilidades de escolha. Há oferta. Existem várias rádios, milhares de shows, infinitas opções numa loja de discos. Você entra numa loja e encontra todos os segmentos: o clássico, o alternativo, o superalternativo, o brega, o superbrega... Tem de tudo nas prateleiras. Aqui não, no Brasil existe a massificação do gênero do momento. Não há espaço para os vários movimentos, os novos compositores, os novos cantores. O povo não tem acesso à diversidade.
Que cantoras inspiraram ou influenciaram você quando menina? O que fez você largar a carreira de atriz para virar cantora?
Eu sempre ouvi muita música, porque sou filha de músicos. Ouvi várias cantoras, nenhuma me influenciou em especial. Cresci ouvindo música africana, brasileira, as big bands americanas e a música cubana na época áurea dos anos 50, que ouvia por intermédio de meus pais. Quanto a ser cantora, sempre quis seguir a carreira. Quando eu era atriz, eu também cantava, fazia as duas coisas. Só que em 1989, decidi investir na minha veia de cantora. Mas não foi uma decisão momentânea. Acho que eu nasci já decidida.
O que, para você, distingue uma grande cantora?
O timbre é muito importante. É interessante você ligar o rádio e ouvir uma cantora com timbre bonito. Vivemos um momento em que a extensão, a voz de grande alcance, deixou de ser a força de uma intérprete. No tempo dos meus pais, havia o rádio. O cantor tinha que cantar muito. Hoje você tem que ter também uma imagem, porque existe o vídeo e o clipe. É claro que você precisa ser afinada, mas até a afinação hoje em dia pode ser conseguida através de recursos de estúdio. É claro que aí estamos falando de um outro tipo de artista. O importante, enfim, é que a cantora tenha um timbre bonito, uma imagem e saiba bem o que está querendo.

O que estimulou você a lançar um disco de remixes?
Daúde: O remix é muito familiar na minha carreira, porque tanto o primeiro disco com as músicas ‘‘Chove Chuva’’ e ‘‘Véu Vavᒒ quanto o CD promocional com as versões de ‘‘Pata Pata’’ (do segundo disco) já traziam esse formato. Por ter essa referência no meu trabalho, pensei agora em consolidar um disco inteiro de remixes direcionado às pistas. O bacana nesse tipo de trabalho é que você sempre se surpreende com a nova interpretação, com o novo arranjo, com a montagem.
Você planeja nortear seu próximo trabalho também nessa busca pelo apelo dançante?
É um caminho, mas acho que esse disco em particular pode ser ouvido em casa, no carro, em qualquer lugar e não necessariamente num clube noturno. É claro que tecnicamente ele tem essa conotação para pista bem definida, mesmo porque um disco de remixes prioriza muito as linhas de baixo e os loops de bateria, além de colocar a voz à frente e apenas na forma de fragmentos. Mas, na verdade, a música brasileira toda é dançante. Dominguinhos, por exemplo, leva você ao forró sem nenhuma levada remixada. As próprias faixas lentas do meu primeiro disco mexem com a cintura. A música brasileira tem essa preciosidade por ser rítmica.
Você mesma escolheu os produtores ou houve sugestão da gravadora?
Fui eu mesma que escolhi, porque já tinha trabalhado com todos eles, além de respeitá-los artisticamente. Foi fácil trabalhar com eles. Não fui co-autora, mas participei como uma espécie de supervisora. A característica de remix é ser autoral. Você leva as fitas para o produtor e ele faz o trabalho, interpretando a canção do jeito que quiser e depois mostra para o artista ou para a gravadora. No meu caso, como já tínhamos uma ligação artística, eles me consultavam, algumas vezes por telefone mesmo. Eu ouvia as amostras e dava sugestões: ‘prioriza mais isso, acho que tem que repetir mais essa frase’, ‘o teclado pode entrar mais vezes nessa música’ e por aí vai. Fiz uma interferência relax.
Você já fez várias apresentações na Europa. Que diferenças você percebe entre o mercado fonográfico daqui e de fora?
A diferença básica é que lá as pessoas têm possibilidades de escolha. Há oferta. Existem várias rádios, milhares de shows, infinitas opções numa loja de discos. Você entra numa loja e encontra todos os segmentos: o clássico, o alternativo, o superalternativo, o brega, o superbrega... Tem de tudo nas prateleiras. Aqui não, no Brasil existe a massificação do gênero do momento. Não há espaço para os vários movimentos, os novos compositores, os novos cantores. O povo não tem acesso à diversidade.
Que cantoras inspiraram ou influenciaram você quando menina? O que fez você largar a carreira de atriz para virar cantora?
Eu sempre ouvi muita música, porque sou filha de músicos. Ouvi várias cantoras, nenhuma me influenciou em especial. Cresci ouvindo música africana, brasileira, as big bands americanas e a música cubana na época áurea dos anos 50, que ouvia por intermédio de meus pais. Quanto a ser cantora, sempre quis seguir a carreira. Quando eu era atriz, eu também cantava, fazia as duas coisas. Só que em 1989, decidi investir na minha veia de cantora. Mas não foi uma decisão momentânea. Acho que eu nasci já decidida.
O que, para você, distingue uma grande cantora?
O timbre é muito importante. É interessante você ligar o rádio e ouvir uma cantora com timbre bonito. Vivemos um momento em que a extensão, a voz de grande alcance, deixou de ser a força de uma intérprete. No tempo dos meus pais, havia o rádio. O cantor tinha que cantar muito. Hoje você tem que ter também uma imagem, porque existe o vídeo e o clipe. É claro que você precisa ser afinada, mas até a afinação hoje em dia pode ser conseguida através de recursos de estúdio. É claro que aí estamos falando de um outro tipo de artista. O importante, enfim, é que a cantora tenha um timbre bonito, uma imagem e saiba bem o que está querendo.

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