Considerado um dos intrumentos mais indicados para iniciar a educação musical por ser mais acessível, a flauta doce é muito utilizada nas aulas de música nas escolas. ''Instrumento fácil de 'tirar som', mas difícil de tocar bem'', conforme atesta a flautista Renata Pereira, de São Paulo, que pela quarta vez deu um curso sobre metodologia Suzuki aplicada à flauta doce no 32º Festival de Música de Londrina. Renata é mestre em música pela Universidade de São Paulo (USP) e desde 2003 graduada do Método Suzuki de flauta doce com a criadora do método para este instrumento, Katherine White, em San Mateo, nos Estados Unidos. A base do método, originalmente criado para violino, foi desenvolvido por Shinishi Suzuki (1898 - 1998), no Japão, logo após a Segunda Guerra Mundial.
''Um dos grandes diferenciais do Método Suzuki é ser baseado no desenvolvimento da língua materna, com muita repetição e estímulos positivos. No caso da flauta doce, começamos tocando com as duas mãos e notas mais graves, que produzem um som mais bonito e afinado'', explica Renata.
A professora também critica o excesso de utilização de flautas doces do tipo brinquedo ao invés das profissionais, produzidas no Brasil apenas pela Yamaha. ''As flautas brinquedos não têm afinação e nem um som de qualidade. É um crime a sua utilização pois não educam o ouvido'', garante. Entre os desafios da aprendizagem com flauta, ela destaca a importância do dedilhado correto, da respiração e da articulação da língua enquanto se toca o instrumento.
A musicista autodidata Jemima Lima Fernandes, 48 anos, elogiou o método. ''Sempre toquei de forma muito intuitiva, mas agora quero unir a intuição com o conhecimento para uma melhor formação profissional'', afirma. Já a professora Ginai Cardoso Simioni, 41 anos, do Colégio Geração, de Astorga, estava encantada com o que aprendeu.
''Não conhecia o Método Suzuki e amei. Com certeza vou mudar a minha didática e defendo a ideia que as escolas tenham professoras especialistas na área musical'', pondera a professora que é especialista em educação musical pela Universidade Estadual de Londrina e está fazendo faculdade de música pelo Plano Nacional de Formação de Professores (Parfor). Ela dá aulas de música para alunos da educação infantil ao quinto ano do fundamental.
Do Piauí, Andressa Nayara Pierote da Silva, 19 anos; Gislayne Bianco dos Santos, 19, e Cinthia Suedy de Sousa Silva, 29, lembram que o desafio da educação musical também é grande na região Nordeste. ''Os alunos adoram as aulas de música, mas as instituições e governantes não investem e ainda veem a música como recreação'', criticam. (A.P.N.)

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