O porta-voz da juventude
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de maio de 2010
Tariana Hackradt<br> Folhapress 
Serginho Groisman tem muito o que comemorar em 2010. O apresentador do ''Altas Horas'' completa neste ano o aniversário de uma década à frente da atração global e de 20 anos comandando programas de auditório. Com a cabeça cheia de novas ideias, ele fala sobre os seus projetos, a carreira na TV e a relação com público jovem.
Depois de 20 anos apostando no mesmo formato, o que o motiva a continuar trabalhando com o público jovem?
A plateia é jovem, mas o ''Altas Horas'' é um programa que fala com todo mundo. Nós produzimos um conteúdo adulto e tentamos colocá-lo sob o ponto de vista do adolescente. Gosto de trabalhar com esse público porque, quando se é mais novo, não se tem compromisso. O menino ou a menina levanta e fala o que quer sem pensar nas consequências. É espontâneo, e a ideia do programa é dar voz ao público.
Qual foi o momento mais marcante da sua carreira?
Teve um ''Programa Livre'' que gravei ao vivo, em 1992, direto do Centro de Detenção de São Paulo, que foi marcante. Foi pouco antes do massacre do Carandiru. Aqui na Globo, todos os aniversários do ''Altas Horas'' são especiais. Neste ano, por exemplo, gravamos um especial no Cirque du Soleil que foi bem bacana.
Haverá mais algum programa especial gravado fora do estúdio?
Sim, nós pretendemos sair mais do estúdio em 2010. Estamos pensando em gravar em uma comunidade carente aqui de São Paulo, o Capão Redondo. Também queremos ir ao Instituto Inhotim, um complexo de arte que fica em Minais Gerais. A nossa ideia é fazer um ''Altas Horas'' só com mineiros. O quadro ''Púlpito'' também será feito, às vezes, na rua. O legal é que, com isso, damos voz a pessoas de outras faixas de idade.
Na sua opinião, o jovem mudou muito nestes 20 anos?
Muita coisa mudou, mas outras permanecem exatamente iguais. Eu acredito que a maior revolução na vida do jovem tenha sido a internet, mas o adolescente ainda faz um uso limitado dela. Além disso, eles continuam lendo muito pouco e falta uma postura mais crítica. O que não dá para negar é que houve um crescimento maior no que diz respeito à consciência política. Mais isso ainda não é suficiente. Não que dê para culpar o jovem por isso. A verdade é que nenhum partido oferece um programa que interesse a esse público, que tenha posicionamento para questões que interessam a eles, como drogas e aborto.
E os planos para comemorar os dez anos do ''Altas Horas'', quais são?
Neste ano, eu decidi fazer uma coisa diferente e comemorar o ano inteiro. Com isso, nós temos a oportunidade de dar uma revisada no que o programa apresentou na última década. Acredito que a iniciativa vá gerar uma repercussão legal para o ''Altas Horas''. Vamos olhar e tentar resgatar o que já fizemos de bom. Quem sabe até reestrear algum quadro.
Quais são as principais novidades desta décima temporada?
Por causa do aniversário, criamos alguns quadros em função do nosso arquivo, como o ''Memória Altas Horas''. Já mostramos, por exemplo, um compacto com instrumentistas importantes que passaram por aqui, como o Sivuca e o Dominguinhos. Outra atração que revive momentos do passado é o ''Procurando por VC'', que traz de volta ao ''Altas Horas'' pessoas da plateia que passaram por situações engraçadas no programa.
Como são escolhidos os temas discutidos?
O ''Altas Horas'' tem 14 pessoas na produção, quatro delas na pauta. Sempre conversamos sobre o que pode e o que não pode ser abordado e o que é interessante para a atração. Como gravamos na quinta, esperamos o início da semana para escolher um tema quente para discutir no ar, como, por exemplo, o toque de recolher e o ''bullying''.
Os seus 20 anos como apresentador de programa de auditório ganharão atenção especial?
Ainda estou pensando sobre esse assunto, mas acredito que sim. Talvez, eu faça algum programa especial no segundo semestre focando nessas duas décadas, mas não há nada certo.


