Arquivo FolhaLulu Santos: ‘‘Esse disco é o resultado da minha reflexão sobre a MPB’’Ele conseguiu a proeza.‘‘Liga Lᒒ, o novo disco de Lulu Santos, pela BMG, com lançamento previsto para setembro, traz como convidado, em uma faixa, o maestro Rogério Duprat, uma das figuras-chave do movimento tropicalista em 1967/1968. ‘‘Eu praticamente pendurei a chuteira, não gravo nada há uns seis ou sete anos. Prefiro estudar astronomia e astrofísica no meu sítio’’, afirmou
Duprat, 65 anos, durante um intervalo da gravação da faixa ‘‘Tempo/Espaço’’. Lulu Santos, 44 anos, parece não ter precisado lutar muito pelo privilégio. ‘‘Ele telefonou, eu gosto dele, é um cara legal’’, disse Duprat, para explicar a concessão.
O interesse de Duprat pela astrofísica vem cair como de encomenda sobre as intenções de Lulu, hoje interessado na trilha sonora de ‘‘2001, uma Odisséia no Espaço’’ (1968), de Stanley Kubrick, e em outros experimentos ‘‘lunáticos’’.
‘‘Esse disco é o resultado da minha reflexão sobre a música popular brasileira, o que quero é fazer sua desarticulação. Mas não quero me imaginar como um diluidor. Acho que coloco um laser, um microscópio eletrônico. É uma coisa totalmente fim de século, de falência das crenças’’, afirmou Lulu Santos.
Os experimentos são levados a cabo pelo equilíbrio, meio a meio, de faixas inéditas e regravações de clássicos da MPB, em geral, por via de referências como tecno, drum’n’bass, eletrônica, a velha soul music. Entram nesse cardápio uma releitura drum’n’bass/ interespacial de ‘‘Ando Meio Desligado’’ (1970), dos Mutantes, e uma versão tecno para ‘‘Fé Cega, Faca Amolada’’ (1975), de Milton Nascimento.
Há ainda ‘‘Chico Brito’’, de Wilson Batista, que Paulinho da Viola gravou em 1978, ‘‘Dê um Rol꒒, dos Novos Baianos, que Gal lançou em 1971, e ‘‘Vôo de Coração’’ (1983), clássico kitsch de Ritchie, mas inéditas na velha clave rock/balada.
O pretexto de desarticular conceitos é razão também para o convite a Duprat, artífice da convulsão da canção popular no momento tropicalista.
‘‘Pedi que ele escrevesse uma galáxia, e ele fez esse trabalho maravilhoso. Duprat não é o George Martin (produtor dos Beatles) brasileiro, é o George Martin da minha vida. Aliás, o George Martin é muito mais careta que ele’’.
Com ‘‘Liga Lᒒ, fica abolida a conversa lançada por Lulu há um ano, de que ‘‘Anticiclone Tropical’’ (1996) seria seu último disco. ‘‘Isso desdiz tudo que eu disse. Não estava tendo prazer, era o final da tangência criativa com o Marcelo ‘Memê’ Mansur, que, por gloriosa que tenha sido, não vai acontecer mais. Agora volta a brincadeira libidinosa, de fazer discurso com sonoridade’’.

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