O popstar resgata o tropicalista
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sexta-feira, 22 de agosto de 1997
Pedro Alexandre Sanches Agência Folha 
Arquivo FolhaLulu Santos: Esse disco é o resultado da minha reflexão sobre a MPBEle conseguiu a proeza.Liga Lá, o novo disco de Lulu Santos, pela BMG, com lançamento previsto para setembro, traz como convidado, em uma faixa, o maestro Rogério Duprat, uma das figuras-chave do movimento tropicalista em 1967/1968. Eu praticamente pendurei a chuteira, não gravo nada há uns seis ou sete anos. Prefiro estudar astronomia e astrofísica no meu sítio, afirmou
Duprat, 65 anos, durante um intervalo da gravação da faixa Tempo/Espaço. Lulu Santos, 44 anos, parece não ter precisado lutar muito pelo privilégio. Ele telefonou, eu gosto dele, é um cara legal, disse Duprat, para explicar a concessão.
O interesse de Duprat pela astrofísica vem cair como de encomenda sobre as intenções de Lulu, hoje interessado na trilha sonora de 2001, uma Odisséia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick, e em outros experimentos lunáticos.
Esse disco é o resultado da minha reflexão sobre a música popular brasileira, o que quero é fazer sua desarticulação. Mas não quero me imaginar como um diluidor. Acho que coloco um laser, um microscópio eletrônico. É uma coisa totalmente fim de século, de falência das crenças, afirmou Lulu Santos.
Os experimentos são levados a cabo pelo equilíbrio, meio a meio, de faixas inéditas e regravações de clássicos da MPB, em geral, por via de referências como tecno, drumnbass, eletrônica, a velha soul music. Entram nesse cardápio uma releitura drumnbass/ interespacial de Ando Meio Desligado (1970), dos Mutantes, e uma versão tecno para Fé Cega, Faca Amolada (1975), de Milton Nascimento.
Há ainda Chico Brito, de Wilson Batista, que Paulinho da Viola gravou em 1978, Dê um Rolê, dos Novos Baianos, que Gal lançou em 1971, e Vôo de Coração (1983), clássico kitsch de Ritchie, mas inéditas na velha clave rock/balada.
O pretexto de desarticular conceitos é razão também para o convite a Duprat, artífice da convulsão da canção popular no momento tropicalista.
Pedi que ele escrevesse uma galáxia, e ele fez esse trabalho maravilhoso. Duprat não é o George Martin (produtor dos Beatles) brasileiro, é o George Martin da minha vida. Aliás, o George Martin é muito mais careta que ele.
Com Liga Lá, fica abolida a conversa lançada por Lulu há um ano, de que Anticiclone Tropical (1996) seria seu último disco. Isso desdiz tudo que eu disse. Não estava tendo prazer, era o final da tangência criativa com o Marcelo Memê Mansur, que, por gloriosa que tenha sido, não vai acontecer mais. Agora volta a brincadeira libidinosa, de fazer discurso com sonoridade.


