Arquivo FolhaChico Buarque: sua vida artística será contada desde a época dos festivaisChico Buarque de Holanda será enredo da Estação Primeira de Mangueira em 1998, quando a escola completa 70 anos. A escolha do tema foi anunciada pelo presidente da comissão de carnaval, Percival Pires. O Universo de Chico Buarque contará na avenida a trajetória do cantor e compositor carioca desde a época dos festivais da canção e também abordará seu trabalho em teatro e literatura.
Desde 1992, quando cantou na avenida a obra do maestro Tom Jobim, a Mangueira vinha adiando a homenagem a Chico Buarque. ‘‘Ele pediu para que só se tornasse enredo na virada do século, porque se sentia muito garoto’’, contou Pires. O compositor completou 52 anos em 1996. Sambistas da velha-guarda da Mangueira, uma das mais tradicionais escolas do Rio, aprovaram o enredo. ‘‘Esse menino é mangueirense e tem um talento extraordinário’’, disse o compositor Carlos Cachaça, de 95 anos.
‘‘Ele é um menino sofrido, combativo desde a época em que era estudante e foi banido do Brasil; sabe lá o que é isso?’’, comentou Dona Neuma, 74 anos, 68 dos quais dedicados à Mangueira. ‘‘Além disso, o Chico é mangueirense demais’’, disse, exultante com a homenagem ao autor de ‘‘Piano na Mangueira’’ e ‘‘Derradeira Estação’’, músicas que exaltam a escola de samba pela qual Chico Buarque se diz apaixonado.
Dona Zica, viúva do compositor Cartola, lembrou que Chico ‘‘adora a Mangueira e foi muito ligado a meu marido’’. Para Zica, ‘‘uma homenagem a Chico seria muito importante, porque, afinal, ele é uma figura decorativa (sic)’’. Nos últimos 13 anos, a Mangueira tem marcado seus desfiles com homenagens comoventes à música, à cultura popular brasileira e a compositores como Braguinha (1984), Dorival Caymmi (1985), Tom Jobim (1992) e os Doces Bárbaros (Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia, em 1994).
Compromisso com a escolaO presidente da Mangueira, Elmo José dos Santos, disse que há quatro anos tem a autorização de Chico Buarque para homenageá-lo na avenida. ‘‘Estávamos apenas esperando a escola completar 70 anos, o que acontece ano que vem, e o Chico, que tem identidade com a escola, sabia disso’’, afirmou.
Chico Buarque, segundo informou seus assessores, está em Paris com sua mulher, a atriz Marieta Severo e só voltará ao Rio no começo de março, mas Pires garante que, desta vez, ele ficará muito contente com a homenagem. ‘‘O Chico está mais tranquilo e tem um compromisso com a Mangueira’’, afirmou.
O enredo foi sugerido, segundo Pires, pelo jornalista paulista Osvaldo Martins. ‘‘No ano passado, a idéia quase saiu do papel, mas para 1998 está definido o enredo’’, afirmou. Pires só não soube dizer se o carnavalesco Oswaldo Jardim, autor do enredo ‘‘O Olimpo é Verde Rosa’’, que deu a terceira colocação este ano à Mangueira, permanecerá na escola. ‘‘Isso ainda vai ser decidido em reunião da diretoria’’, afirmou.

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