Desde ‘‘Todos os Homens do Presidente’’, de Alan J. Pakula, sobre a investigação do escândalo de Watergate por dois jornalistas, não se via uma produção tão vigorosa como ‘‘O Informante’’. Dirigido por Michael Mann e estrelado por Al Pacino e Russel Crowe, o filme foi indicado a quatro Oscars. Na opinião de muitos críticos, ‘‘O Informante’’ merecia ter levado a estatueta de melhor filme, que acabou ficando com ‘‘Beleza Americana’’.
Divergências à parte, o importante é não deixar de ver nenhum dos dois filmes, que são ótimos e bem diferentes em suas denúncias e concepções. ‘‘O Informante’’ mostra o poder da fumaça contra o reino da palavra. Baseado num artigo da jornalista Marie Brenner, publicado pela revista ‘‘Vanity Fair’’, em 1996, ‘‘O Informante’’ acompanha a história de Jeffrey Wigand (Crowe), um bioquímico contratado, em 1989 pela empresa de cigarros Brown & Williamson, subsidiária da British American Tabaco, com sede em Kentucky (EUA), para chefiar o departamento de pesquisas da companhia.
Em 1993, Jeffrey Wigand é desligado da empresa por se recusar a cooperar no desenvolvimento da química para aumentar a eficácia da nicotina nos cigarros, uma substância altamente cancerígena. Ao deixar a empresa Jeffrey é obrigado a assinar um documento se comprometendo a manter segredo sobre o assunto. É quando entra em cena o jornalista Lowel Bergman (Pacino) que propõe a Jeffrey denunciar o fato. É a partir de então que começa o calvário de Jeffrey e de sua família.
A trama de ‘‘O Informante’’ repete o combate do pequeno Davi contra o gigante Golias. O personagem de Russel Crowe caminha o tempo todo em uma corda-bamba estendida sobre o picadeiro, com leões famintos no chão prontos a devorá-lo se escorregar. Além do ataque à indústria tabagista e às conveniências da mídia, ‘‘O Informante’’ revela-se também como um estudo inquietante sobre o medo e a tensão das situações limite. Lançamento da Buena Vista. Duração: 160 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS




ReproduçãoLeonardo DiCaprio e Virginie Ledoyen: em busca do paraíso




A Praia
Baseado no best-seller do inglês Alex Garland, ‘‘A Praia’’ conta a história do mochileiro moderno Richard (Leonardo DiCaprio), que procura uma forma não ortodoxa de turismo na Ásia. Dirigido pelo cineasta inglês Danny Boyle, responsável pelo polêmico ‘‘Trainspotting’’, o filme é uma espécie de ‘‘Lagoa Azul’’ barra pesada.
No fundo, ‘‘A Praia’’ é por si só uma fita divertida que procura refletir, superficialmente, sobre os porquês de nossas ânsias e nosso ideal por lugares perfeitos como o paraíso: um mundo melhor, mais divertido, despreocupado e onde as pessoas vivam e deixem viver. Mas no filme, todo esse ideal é destruído por uma grande tragédia. É quando ‘‘A Praia’’ deixa de ser uma ‘‘Lagoa Azul’’ para assumir ares de ‘‘O Franco Atirador’’ e de ‘‘Pulp Fiction’’. O filme tem uma fotografia belíssima e uma trilha sonora tecno bastante interessante, mas a história é bem fraquinha. Lançamento da Fox. Duração: 119 minutos.






ReproduçãoSensível e com um final intrigante, este filme é uma grata surpresa









Um Estranho Chamado Elvis
Inédito nos cinemas brasileiros, ‘‘Um Estranho Chamado Elvis’’ é uma produção pequena, mas muito interessante. Byron Gruman (Johnathon Schaech) é um jovem que se entregou à solidão desde que a esposa morreu em um acidente. Um dia, em uma estrada deserta, ele dá carona para um andarilho, interpretado por Harvey Keitel, que afirma ser Elvis Presley, mesmo não se parecendo em nada com o rei do rock.
Juntos, eles vão descobrindo que a vida é mais que acreditar em sonhos, é preciso vivê-los. Aos poucos, o susposto Elvis vai livrando Byron de sua angústia, mostrando um outro lado da vida. ‘‘Um Estranho Chamado Elvis’’ é uma grata surpresa, com uma história sensível e um final intrigante. Vale a pena conferir. Lançamento da Cannes. Duração: 97 minutos.

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