Fernando é bibliotecário. Tales, engenheiro. Pablo, psicólogo. Ana Maria, dona de casa. Sentados na plateia, disseram o que pensam sobre o último filme de André Klotzel, ''Reflexões de um Liquidificador''.®MDBO¯®MDNM¯ Com o diretor, famoso por seu impagável ''Marvada Carne'' (1983), sentado no palco e ouvindo tudo.
A sessão abriu a temporada paranaense de Teste de Audiência, iniciado em 2007 em Brasília e que agora também passará mensalmente por Curitiba. O projeto é uma novidade no Brasil.
Se em Hollywood não há filme que chegue aos cinemas sem aprovação prévia dos espectadores, nestas bandas perguntar a opinião do público antes de concluir a obra foi sempre confundido com falta de capacidade autoral.
A sessão é gratuita. Em Curitiba, acontece no teatro da Caixa Cultural, patrocinadora do projeto, que custa cerca de R$ 250 mil ao ano. A próxima edição será no dia 11 de março, com o filme... bem, só saberemos o filme no dia, pois a sessão é surpresa. Serão dez edições em 2009.
''O quente é quando você pode ouvir os comentários e mudar o filme'', opina Paulo Morelli, 53. Seu longa ''Cidade dos Homens'' (2007) foi o primeiro dos 17 que já participaram do projeto, iniciado em 2007. Morelli já havia mostrado o filme em sessão de testes em Nova Iorque e deu dicas que ajudaram a formatar a versão brasileira, organizada pelos cineastas Renato Barbieri e Márcio Curi.
''No Brasil ainda existe muito preconceito. Coisa de ser dono da obra. Não se perde a autoria ao ouvir o público'', opina Morelli. Ele mesmo fez mudanças depois da sessão de testes. ''É comum apresentarmos o filme aos amigos - todo mundo faz isso. Mas opinião do amigo é mais fraca do que a de alguém sem rosto.''

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