O PIOR DA PARÓDIA
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de setembro de 2001
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<BR>Especial para a Folha 2 
Há sete nomes creditados como roteiristas de ''Todo Mundo em Pânico 2''. Isto significa aproximadamente dois roteiristas por risada, aos longo de todos os 90 minutos do filme. A coisa fica mais grave quando se recorda do primeiro ''Scary Movie'', lançado ano passado. Razoavelmente divertido, ágil, com propósito e motivação definidos, um personagem central consistente e realizado como uma sátira ao estilo da revista MAD mas ainda mais ultrajante , o filme autorizava a expectativa de uma sequela na pior das hipóteses também razoável. O que se vê agora não é nem de longe sugestivo, engraçado ou vagamente interessante. Está de volta, muito piorada, a quadrilha dos irmãos Wayans, Keenen (diretor e ator), Shawn, Marlon e Craig (roteiristas e atores).
A trama central de ''Todo em Mundo em Panico 2'' (veja a programação de cinema na página 5) parodia a seu modo arbitrário uma série de títulos mais ou menos recentes, como ''Hannibal'', ''Revelação'', ''As Panteras'', ''A Casa da Colina'' e ''A Casa Amaldiçoada''. É principalmente em cima deste que ''Scary Movie 2'' tenta fazer rir, com personagens do primeiro filme (incluindo alguns que morreram) e alguns novos. Todos se reúnem durante um fim de semana numa casa fantasmagórica para um experiência conduzida por um certo cientista chamado ''Professor''. Neste cenário acontecem as peripécias que deveriam levar a platéia ao riso. Deveriam, mas resta somente a intenção. Apenas bem no início, na abertura que subverte ''O Exorcista'' , James Woods (em papel que em ótima hora Marlon Brando recusou) se encarrega de proporcionar alguma diversão ao espectador quando, sem êxito, tenta expulsar o demônio e impedir que tudo se transforme num mar de vômito.
''Scarry Moovie 2'' jamais consegue criar situações de autêntica comédia maluca, ou pastelão. O (mau) humor nu e cru e equivocado tem seu melhor exemplo na cena em que um grupo está jantando na tal casa mal-assombrada. Quem serve a mesa é o caseiro, que tem uma deformidade. Pois bem, a piada é a mão dele, disforme e repulsiva, que toca com frequência a comida. Isto se repete sem novidades por cerca de cinco minutos. Há ainda mais tiradas ''criativas'' envolvendo (homo) sexualidade, fluidos corpóreos, problemas intestinais, uso de droga e um obsceno pássaro falante, entre outras ''amenidades''.
É muito fina, a linha entre humor irreverente e aquele revoltante, doentio e muito próximo à náusea. ''Todo Mundo em Pânico 2'' ultrapassa em muito este limite.


