O piano em boas mãos
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quinta-feira, 19 de dezembro de 2002
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A pianista paulistana Eudóxia de Barros faz hoje, em Londrina, seu último recital na temporada 2002. A apresentação começa às 20 horas na Associação Médica, com entrada franca. O programa inclui peças de, entre outros, Debussy (1862-1918), Liszt (1811-1886), Ernesto Nazareth (1863-1934), Zequinha de Abreu (1880-1935) e Osvaldo Lacerda (1927).
Com quatro décadas de carreira, Eudóxia conquistou prestígio como uma das melhores pianistas do país. No começo do ano, lançou três discos pela Comep ''Eudóxia de Barros Interpreta Zequinha de Abreu'', ''Música, Doce Música'' e ''Lua Branca'' (este uma reedição de 1999). Segundo a crítica especializada, os CDs são dedicados ao repertório semiclássico, com o qual a autora entrou em contato na década de 60, quando gravou peças de Ernesto Nazareth do modo como ele as escreveu e não a partir dos arranjos feitos por maestros de renome como Radamés Gnatalli.
Nazareth é destaque na apresentação de hoje, na qual figuram a polca lundu ''Você bem sabe!'' e o tango ''Pinguim''. Zequinha de Abreu, outro objeto permanente de interpretação, também consta no repertório com a valsa ''Soluçar de um Coração'' e os choros ''Sururu na Cidade'' e ''Tico-tico no fubá''. O legado brasileiro é garimpado ainda nas execuções de obras de Osvaldo Lacerda (''5 Variações sobre Escravos de Jó'' e ''Estudo nº 12''), Camargo Guarnieri (''Dança Negra''), Chiquinha Gonzaga (''Atraente''), Eduardo Souto (''O Puladinho') e Luiz Levy (''2 Rapsódia Brasileira, op. 29'').
A passagem pelo Paraná fecha um ano em que a pianista subiu pelo menos 50 vezes no palco, além de ter colaborado com diversas atividades ligadas à música de concerto. A jornada incluiu várias apresentações, realização de cursos e recitais em festivais de inverno e participação em júris de concursos.
Seu currículo pesa. Em 1967, tirou o primeiro lugar no Concurso para solista da ''North Carolina Symphony'', excursionando com a orquestra no mesmo ano. A convite do Itamaraty, tocou no Paraguai, Peru, Bolívia, Colômbia, Equador, Nicarágua, Panamá e Honduras. Apresentou-se também várias vezes em Paris, Londres, Suíça, Nova York e Washington.
Em 1995, recebeu o ''Prêmio Nacional da Música'' outorgado pela Funarte. Dois anos depois, foi escolhida a ''melhor recitalista'' da temporada pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Já gravou 40 discos (31 LPs e 9 CDs). É vice-presidente do Centro de Música Brasileira, além de pertencer à Academia Pernambucana de Música e à Academia Brasileira de Música (cadeira nº 14).
Serviço:
Recital de piano de Eudóxia de Barros, hoje, na Associação Médica de Londrina (Praça 1º de Maio, 130). Horário: 20 horas. Entrada franca.


