A imensidão é o lugar perfeito ao repertório de piano, onde, para qualquer região que se olhe, as mais românticas, modernas, enfim, sempre será possível contemplar um ideal de perfeição. ''É tão imenso e belíssimo que a gente não vence nunca e dá vontade da gente conhecer tudo'', afirma uma das melhores pianistas brasileiras Eudóxia de Barros, que apresenta um recital hoje, às 20h30, no Teatro Ouro Verde, com entrada franca. A promoção é da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina.
Com as mãos sempre olhando para um novo lugar na imensidão dos repertórios, Eudóxia todo ano prepara um programa diferente e bastante difersificado.
Celebrando os 60 anos de Ronaldo Miranda (1948) e 80 anos de Edino Krieger (1929) e Osvaldo Lacerda (1927), que é seu marido, a pianista fixou os olhos na valsa ''Nina'', ''Estudo nº 1'' e ''Estudo nº 5'', e ''Suíte nº 3'', revelando, respectivamente, algumas das paisagens mais belas desses compositores brasileiros. ''Para mim, o Estudo nº 1 de Lacerda é belíssimo e muito difícil de executar, requer memorização. No ano passado, eu toquei a peça, mas como não ficou boa decidi incluir no programa deste ano. Reclamei com o compositor, o meu marido. Ele disse que, se houver uma segunda edição colocará o subtítulo 'sádico'.''
Eudóxia lembra que as mãos femininas têm dificuldade para olhar repertórios como Prokofieff, mas essa dificuldade na ''acuidade visual'', que exige força nos dedos, é superada pela visão panorâmica da sensibilidade e requinte de mulher. ''A Sonata é um dos repertórios mais difíceis tecnicamente. Principalmente para nós mulheres, que não temos força física. A mulher tem mais sensibilidade, requinte, refinamento, mas fica devendo aos pianistas homens, que possuem força para um fortíssimo'', afirma Eudóxia, pondo as mãos sobre o próprio perfeccionismo, acrescentando que todo artista é exigente e que seria muito chato se nascesse uma pianista completa.
A imensidão do repertório para piano é o lugar também de sonhos na carreira de Eudóxia, que se prepara para tocar os Concertos em dó menor ou si bemol, de Mozart. ''O sonho será completo se for com um grande maestro, como Henrique Morelenbaum. Uma vez, eu toquei com ele e acho que agora me encontro preparada para visitar a profundidade de Mozart. Apesar de ser um compositor masculino é de muita ternura. Aos 71 anos de idade, acho que tenho condições de penetrar em sua música'', antecipa o projeto, que deve ser realizado no próximo ano.
SERVIÇO
- Eudóxia de Barros
Quando - Hoje, às 20h30
Onde - Teatro Ouro Verde, em Londrina

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