O perigo do lixo tóxico
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quarta-feira, 04 de junho de 2003
Phoenix Finardi<br> Reportagem Local 
O progresso e a tecnologia têm seu preço. No caso dos telefones celulares e equipamentos eletroeletrônicos o problema é o que fazer com as baterias, um verdadeiro lixo tóxico. O Ministério do Meio Ambiente estima que 11 toneladas de baterias são descartadas anualmente no lixo comum. O Brasil é o 6º maior mercado do mundo de telefonia móvel, com mais de 34 milhões de celulares. A previsão é que este número aumente para 58 milhões até 2005. Considerando as baterias necessárias para alimentar esses aparelhos temos um volume de lixo enorme!
A primeira iniciativa para resolver o problema foi a Resolução 257 do Conselho Nacional do Meio Ambiente, o Conama, em julho de 1999. A lei diz que os fabricantes, importadores, redes autorizadas de assistência técnica e comerciantes são obrigados a fazer a coleta, transporte e armazenamento das baterias, além de criar sistemas de reutilização, reciclagem, tratamento ou disposição final destes produtos.
O Paraná tem atualmente uma população urbana de 7,5 milhões de habitantes que geram 6 mil toneladas de lixo sólido por dia. Parte deste lixo é tóxico. Segundo Laerty Dudas, da Coordenadoria de Resíduos Sólidos da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), a estratégia é a redução do desperdício e educação. ''Existem muitas tecnologias mas enquanto não houver uma participação efetiva da população, não vai adiantar nada. Estamos trabalhando para informar e educar as pessoas para que elas tomem decisões corretas quanto à destinação do lixo, inclusive pilhas e baterias'', diz Dudas.
Em Londrina existem 19 postos de coleta de baterias instalados em lojas que vendem telefones celulares; 16 são da operadora local, a Sercomtel. Elas são isoladas uma a uma com fita adesiva e depois são acondicionadas em tambores especiais de plástico. Até dezembro do ano passado, a Nokia vinha buscar as baterias e levava para São Paulo, onde elas eram processadas e reutilizadas. No entanto, a Sercomtel agora está estocando as baterias e já guardou mais de 7 mil unidades. A operadora está para assinar um convênio com a Universidade Estadual de Londrina, que deve aproveitar parte dessas baterias num projeto de pesquisa da reciclagem do produto. Só a Sercomtel recolhe, em média, 1500 baterias por mês.
Uma outra operadora, a Tim, manda as baterias para a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental, a SPVS, uma entidade não governamental com sede em Curitiba. A parceria entre as duas existe há 4 anos e já recolheu 85.230 baterias nos 890 postos instalados nos 3 estados do sul do país onde a Tim opera. A SPVS encaminha as baterias para os fabricantes, que fazem a destinação final do produto através de encapsulamento em concreto, exportação ou contratação de firmas especializadas em reaproveitamento dos componentes. Para incentivar a entrega das baterias nos postos de coleta, a SPVS costuma dar brindes e sortear viagens.
Mas e as baterias de filmadoras, telefones sem fio, relógios e pilhas? Londrina não tem nenhum serviço de coleta para esse tipo de lixo. ''Não existe nenhuma diretriz sobre isso. Ainda estamos estudando o assunto com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização, a CMTU, responsável pela coleta de lixo na cidade'', informa o secretário municipal do Meio Ambiente, Dirceu Fumagalli.
O responsável pelo aterro sanitário, Elsone Delavi, diz que diminuiu bastante a quantidade de baterias e pilhas encontradas no lixo da cidade. Ele garante que esse tipo de produto não vai para o aterro: ''Temos uma pré-triagem e separamos esse tipo de lixo, que é colocado em tambores especiais e mandado para empresas de reciclagem em São Paulo.''
O que quase ninguém sabe é que a mesma lei que regulamenta o descarte das baterias de celulares vale também para todos os outros tipos de baterias e pilhas. Depois de usados, esses produtos devem ser devolvidos na loja onde foram comprados ou em qualquer lugar que venda produtos deste tipo. Os comerciantes são obrigados a receber e encaminhar para o distribuidor ou fabricante.


