Milton DóriaNikolau Ratchev: aluno mais novo do festivalO PEQUENO NOTÁVEL
Aos cinco anos de idade, Nikolau Ratchev, o Nik, é um talentoso aluno de violino do 18º Festival de Música de Londrina
Antônio Mariano Júnior
O nome dele é Nikolau Ratchev. Nik, para os mais próximos. Ele é um dos alunos inscritos no 18º Festival de Música de Londrina. Até aí, nada de mais já que o evento recebeu mais de 800 inscrições de várias partes do País e até do exterior. Acontece que Nik chama a atenção por um motivo muito especial: tem cinco anos de idade e, não bastasse, é um talentoso violinista. Quer dizer, um aplicado aprendiz que demonstra desde cedo fortíssima vocação para a música. ‘‘Eu quero ser famoso e tocar em orquestra’’- afirma com convicção.‘‘Mas tem que estudar bastante para ser famoso’’- acrescenta ele sob oatento olhar do pai Evgueni Ratchev, violinista, professor do 18º FML, spalla e maestro adjunto da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina.
Mataram a charada, não é mesmo? A influência de Nik vem do pai e também da mãe, a pianista e também professora do 18º FML, Irina Ratcheva. Ou seja, Nik nasceu e está sendo criado num ambiente em que a música, a boa música serve de trilha sonora. A inclinação musical começou a se manifestar aos quatro anos de idade ouvindo os pais tocando seus respectivos instrumentos.
Batia o dedinho no piano, imitava o pai tocando violino. Daí... ‘‘Ele canta bem, solfeja bem e para a idade dele toca bem o violino. Essas são as primeiras indicações que uma criança precisa ter para ser encaminhada’’- diz o pai. Entre os dois instrumentos, Nik espontaneamente optou pelo violino.
O primeiro professor, claro, foi o pai que começou a ensinar os primeiros fundamentos. Tudo com leveza. ‘‘O ensino de música para crianças não pode ser assim, de cara. Os exercícios, por exemplo, têm que ser feitos dentro de um clima de brincadeira’’- diz Evgueni.
A confirmação de que Nik poderia mesmo trilhar a carreira de músico veio no ano passado quando a mãe, Irina, e ele viajaram para a Bulgária. Lá, o pequeno notável teve, durante dois meses, aulas com a professora Genoveva Petrova (que também foi professora de Evgueni), uma reconhecida pedagoga de músicos iniciantes.
De volta ao Brasil, Nik retomou suas aulas com o pai. As aulas são diárias - meia hora com o pai e meia hora estudando sozinho. Através de métodos próprios respeitando o fato de que se trata de uma criança, Evgueni Ratchev sabe que não pode imprimir um ritmo intenso ao pequeno Nik mesmo sabendo que ele se sobressai nessa fase de aprendizagem. ‘‘Um professor, além dos métodos conhecidos, tem que ter habilidade para criar seus próprios métodos em cima das necessidades do aluno’’- justifica-se.
Em suas aulas, o pai-professor vem ensinado ao filho-aluno principalmente a parte técnica (como usar o arco, controle sobre o relaxamento do corpo, afinação, coordenação dos braços, entre outros). Em geral, uma criança permanece nesse período entre 3 a 4 anos. Claro, varia de aluno para aluno. Nik já pulou algumas fases. Além do talento nato, o guri leva vantagem de ter sido iniciado na música desde cedo.
Obviamente, Nikolau está sendo encaminhado para o erudito. O repertório, inclui uma canção ninar de Brahms, músicas de um método búlgaro e também algumas canções infantis escritas especialmente pelo pai. Ou seja, talento e boa vontade o pequeno músico tem. Mas o professor, cauteloso, sabe que seu aluno ainda tem muito chão pela frente.
Ele pode encontrar um outro caminho profissional, por exemplo. ‘‘No caso do Nik acho meio difícil, mas a criança tem seus direitos emocionais. Talento ele tem mas ele vai precisar ser muito aplicado nos estudos’’- avisa Evgueni. Mas Nik não é o único dos Ratchev a demonstrar paixão pela música.
Sua irmã Acéa, dois anos mais velha que ele, também faz aulas de violino e piano. ‘‘Mas ele tem mais personalidade musical que a irmã que parece ter uma inclinação mais forte para o bal钒- informa o pai. Mas quem nasce sob um bom teto musical geralmente não foge à luta.

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