O pequeno mundo dos horrores
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de maio de 1997
Iara Lessa 
ReproduçãoGrãos de pólen causam alergia, mas são lindos de se ver ao microscópioUm pedacinho do estranho e, muitas vezes, bizzaro mundo microscópico pode ser visto em Argh! Um grande livro de pequenos horrores, obra editada pelo inglês Harper Collins, que a Brinque-Book acaba de lançar no Brasil. O livro, cujo nome é apropriadíssimo, traz fotos de lâminas microscópicas ampliadas de seres horripilantes. Essas belezas fotográficas chegam a ser parecidas com monstros japoneses de antigos seriados. Tudo fica pior quando você descobre que muitos desses asquerosos bichinhos podem estar passeando dentro de você neste exato momento.
Instigante e nojento ao mesmo tempo, Arper Collins abre o livro mostrando o que pode estar habitando a pequena cabeça de um alfinete. Levando em consideração que uma cabeça de alfinete comum pode chegar a 0,51 milímetros de diâmetro, acredite, cabe coisa pra caramba. A figura é aumentada primeiramente 10 vezes. Depois 100. Depois seis mil vezes e, quando finalmente atinge a impressionante marca de 35 mil vezes aparece uma enorme, amarela e reluzente colônia de bactérias. Prontinha para nos infectar a qualquer leve espetada.
ReproduçãoO ácaro das plantas é uma praga difícil de exterminar e causa muitos danos
Belezas Ideal para quem gosta de papo nojeira em plena hora do almoço, as fotos seguintes só pioram a sensação de mal estar e curiosidade. Imagine-se deitado em sua deliciosa e aconchegante cama. Pois bem, você provavelmente estará na companhia de mais de um milhão de famintos ácaros, minúsculos seres que vivem em grãos de poeira e que se alimentam principalmente de restos de pele humana que se desprendem de nossos corpos.
ReproduçãoÁcarosEstes indesejáveis hóspedes da casa dormem aos milhares na sua cama. Eles causam alergias e adoram viver perto da gente
Mas nem tudo são horrores neste fascinante mundo pequenino. Uma fina fatia de batata, quando ampliada 800 vezes, mostra pequenos grãos verdes, como gotas de chuva, presos em suas saliências. São grãos de amido, o açúcar produzido e armazenado pela batata. Ou então grãos de pólen - responsáveis por terríveis espirros durante o verão em pessoas alérgicas -, quando ampliados, adquirem roupagens de obras de arte, como se fossem feitos por algum artista pop seguidor de Timothy Leary. Cheios de cores e contornos maravilhosos, mostram mistérios e belezas que não podemos ver.


