O pensamento dos anos 80
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de abril de 1997
Telma Elorza 
ReproduçãoCapa do livro que Luiz André Correia Lima lança hoje em LondrinaO jornalista e professor londrinense Luiz André Correia Lima lança hoje, às 19 horas, na sala de exposições José Antônio Theodoro, da Secretaria de Cultura de Londrina, o livro Cazuza: Lenda e Legenda dos Anos 80, editado pela Editora UEL.
O livro, com 140 páginas, é resultado da monografia de pós-graduação em Filosofia - especialização em História do Pensamento Brasileiro - que o autor realizou em 93/94. Inspirado na obra poética e musical de Cazuza, o trabalho é um estudo e análise da geração da década passada: a primeira pós-Revolução de 64, criada com a babá eletrônica e saída do ensino tecnicista, onde os conteúdos humanistas foram abolidos. É basicamente um estudo do pensamento do jovem urbano dos anos 80, baseado na obra de Cazuza - diz Correia Lima.
Segundo ele, a música sempre foi um reflexo, um indicador de questões culturais importantes na sociedade, e Cazuza soube interpretar as preocupações de toda uma geração. Os mais velhos costumam chamar esta geração de alienada mas, pela obra de Cazuza e a sua aceitação entre o público jovem, podemos ver que estava extremamente preocupada com a vida em geral e com a política em particular. Tanto que acabou desembocando na geração cara-pintadas - afirma.
Revolucionário O trabalho, feito sob orientação do professor Antônio Frederico Zancanaro, foi considerado meio revolucionário, segundo o autor. Me preocupei com o popular num período em que a maioria se volta para os clássicos. Além disto, fiz o trabalho quando Cazuza não tinha o respeito de pensador que tem hoje. Principalmente porque começou sua carreira como roqueiro, mas suas raízes são muito populares e antigas até - conta.
Para o desenvolvimento da monografia, Correia Lima teve que analisar cerca de 120 letras de músicas, praticamente toda a produção de Cazuza, desde o seu primeiro disco, com o grupo Barão Vermelho, em 1981. Além de ouvir e analisar outros tantos autores para fazer comparativos. Cazuza tinha muitas semelhanças com Lupicínio Rodrigues, Maysa, Dolores Duran, que foram fontes para ele. Também se inspirou em Maiakosvki, Rimbaud, além de Fernando Pessoa e Clarice Linspector - afirma.
Uma das conclusões a que chegou, no trabalho, foi que a geração dos anos 80 não foi acéfala e imobilista, como pretendem alguns. Mas que buscou caminhos e fórmulas próprias ante o desencanto de uma sociedade que lhe pareceu sem sentido e coerência. Outra conclusão, esta mais informal, é que, culturalmente ou pelo menos em termos de música, os anos 80 foram muito mais ricos que os 90. Basta ver tantos grupos de pagode, com letras simplórias, fazendo sucesso - diz.
q Cazuza: Lenda e Legenda dos Anos 80 - (Editora UEL, 140 páginas), de Luiz André Correia Lima, hoje, às 19 horas, na Sala de Exposições José Antônio Theodoro da Secretaria Municipal de Cultura (Praça 1º de Maio, 110).


