O Pelé do samba
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de março de 2011
Nelson Sato <br> Reportagem Local 
O gênio do samba, Cartola (1908-1980), foi um sujeito de biografia errática que alternou períodos de glória e ostracismo ao longo de sua vida nos morros cariocas. Seu percurso, repleto de episódios surpreendentes, será reconstituído no programa ''Por Toda a Minha Vida'', que vai ao ar hoje, após o ''Globo Repórter'', na TV Globo.
A nova temporada do programa mantém o formato de docudrama que o consagrou combinando dramatização com atores, imagens de arquivo e depoimentos de amigos e familiares. A apresentação é de Fernanda Lima. Desde a estréia, com o episódio dedicado a Elis Regina, a atração recebeu quatro indicações ao Emmy Internacional.
Ao homenagear Cartola, o ''Por Toda a Minha Vida'' chega à 14 edição. Para protagonizar a figura do compositor foram escalados os atores Miguel Oliveira (infância), Alex Brasil (adolescência) e Wilson Rabelo (fase adulta). Sua parceira, Dona Zica, será vivida pela atriz Marizilda Rosa, enquanto que o personagem de Paulinho da Viola será representado pelo ator Samuel de Assis.
O programa reúne depoimentos da cantora Beth Carvalho, do crítico Sérgio Cabral, da neta e do filho de Zica (oficialmente adotado por Cartola) e dos vizinhos que conviveram com o compositor. Cartola é autor de clássicos imortais da música popular brasileira como ''As Rosas não Falam'', ''O Mundo é um Moinho'', ''Acontece'', ''O Sol Nascerá'' e ''Cordas de Aço''.
Em 1928, juntou-se a Carlos Cachaça e outros bambas para fundar a Estação Primeira de Mangueira. Foi ele quem deu nome e escolheu as cores verde e rosa para a escola. Durante toda a década de 30, teve sambas gravados por ídolos do rádio como Francisco Alves, Mário Reis, Silvio Caldas e Carmen Miranda.
Subitamente, e por motivos inexplicáveis, abandonou tudo e sumiu do mapa deixando amigos e a música para trás. Ficou dez anos desaparecido até ser ''redescoberto'' pelo jornalista Sérgio Porto (o Stanislaw Ponte Preta), que o encontrou lavando carros em Ipanema, atividade que executava de dia enquanto à noite trabalhava como vigia de um prédio.
Cronista de maior prestígio da época, Porto recolocou o artista nos trilhos musicais. Mais tarde, o compositor abriu com sua segunda mulher (Dona Zica) o mitológico bar Zicartola, no centro do Rio de Janeiro - um ponto de encontro dos bambas do samba onde Paulinho da Viola (que Cartola considerava seu discípulo) faria sua primeira apresentação.
Em 1974, aos 66 anos, Cartola entrou num estúdio para gravar seu primeiro disco como cantor e compositor. O álbum foi lançado pelo selo Marcus Pereira e conquistou grande sucesso entre público e crítica. Dois anos depois, gravou seu segundo disco, também aclamado. Ele morreria em 30 de novembro de 1980, vítima de câncer, consagrado como o maior sambista do País.
Serviço:
''Por Toda a Minha Vida - Cartola''
Quando - hoje depois do ''Globo Repórter''
Onde - TV Globo


