O parque da pedra afiada
Cleide Cavalcante
Agência Estado
ReproduçãoO Itaimbezinho é a maior atração do Parque Nacional dos Aparados da SerraConhecer o Parque Nacional dos Aparados da Serra é uma aventura incrível. Localizado na divisa dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, numa das regiões mais suntuosas do país, o parque recebeu recentemente investimentos de US$ 2 milhões em obras de infra-estrutura. Aparados tem uma beleza singular e rústica. A fauna e a flora reúnem exemplares raros, entretanto, a maior atração é o Itaimbezinho, (em tupi-guarani significa ita: pedra e aimbé: afiado, penhasco) indevidamente chamado de canyon. Seu acesso não é nada fácil, mas o espetáculo vale o esforço. São 5.800 metros de extensão, com largura que varia de 600 a 2 mil metros e profundidade de 720 metros. Itaimbezinho não é, de fato, um canyon, pois formou-se a partir da erosão do terreno. Ele surgiu de uma fratura nas camadas superficiais da serra gaúcha durante períodos de acomodação geológica do continente sul-americano, há milhares de anos.
O parque ocupa uma área de 102 quilômetros quadrados, tem a maior parte de seu terreno localizada no município de Cambará do Sul, a 183 quilômetros de Porto Alegre, numa altitude de 980 metros acima do nível do mar. Atualmente o lugar abriga uma das últimas reservas de floresta nativa do Rio Grande do Sul. Quem desejar passar alguns dias na região tem como opção de hospedagem as cidades de Canela, Gramado e São Francisco de Paula, a aproximadamente 80 quilômetros do parque.
O Parque Nacional dos Aparados da Serra foi criado em 1959, pelo governo federal. O termo Aparados originou-se pela configuração geográfica da região, já que em alguns trechos os campos são, na verdade, aparados. Ou seja, parecem mesmo que foram cortados como a fio de faca, terminando sem a transição na aba de precipícios verticalmente dispostos, localizados nos limites entre o planalto e o litoral. As pessoas são recomendadas a não ficarem muito próximas dessas áreas, toda a sinalização foi refeita para evitar acidentes. O horário de visitação é de quarta-feira a domingo, das 9h às 17h.
O percurso até o rio Perdizes, no fundo do abismo, exige um pouco de esforço. As pedras são escorregadias e há cobras por ali. É preciso levar roupas adequadas para este trecho do passeio.
E, uma vez lá embaixo, o visitante surpreende-se pela grandiosidade do Itaimbezinho. São muitas as quedas dágua, que completam o encanto do parque. Sua vegetação é composta, inclusive, por exemplares raros, como a mata de araucária e outras milhares de árvores características do Rio Grande do Sul - cedros, camboins, coronilhas, canelas, cambarás e ipês. Também há xaxins e orquídeas em grande número.
Entre os animais que encontraram refúgio em Aparados estão o veado branco, o veado bororó, puma, o jaguatirica, o gato-do-mato (ou maracajá), o lobo guará, o tatu, a cotia, a paca, o ouriço-cacheiro e as lebres. Muitos destes animais estavam ameaçados de extinção em outros locais e acabaram migrando para lá. No parque, é proibido qualquer tipo de caça. Para os que preferem o clima aconchegante das montanhas, o ideal é viajar para o Aparados durante o inverno, quando a temperatura pode atingir os três graus negativos.





