O paranaense que salvou Curitiba da destruição
Considerado traidor pelo governo do Marechal Floriano Peixoto e assassinado pelos florianistas na Serra do Mar, em maio de 1894, o Barão do Serro Azul chegou ao posto de herói nacional no ano passado pelo reconhecimento de sua atuação durante a Revolução Federalista na defesa de Curitiba diante da iminente invasão dos revolucionários chamados ''maragatos''.
Contrários às políticas desenvolvidas pelo Marechal Floriano, os federalistas comandados por Gumercindo Saraiva avançavam do Rio Grande do Sul em direção ao Rio de Janeiro com o objetivo de tomar o governo republicano. Os republicanos legalistas, liderados por Júlio de Castilhos, haviam assumido o governo em 1892, contando com o apoio do Marechal Floriano. O novo governo foi considerado uma ditadura militar pelos descontentes porque os presidentes, que eram militares, dissolveram o Congresso e teriam sido escolhidos através do voto indireto, pelo governo provisório.
Filho de militar, Ildefonso Pereira Correia nasceu em Paranaguá, no dia 6 de agosto de 1849. Em sua formação, estudou Humanidades no Rio de Janeiro e em São Paulo. Profissionalmente, possuía um engenho de erva-mate em Antonina e, na condição de comerciante, tornou-se o maior exportador desse produto no Paraná. Com a construção da Estrada da Graciosa, transferiu suas atividades para Curitiba, onde se tornou uma liderança empresarial, contribuindo para a consolidação e modernização da cidade, com a instalação de telégrafo, indústria gráfica, organização da associação comercial e infraestrutura para a indústria de erva-mate e café. Por sua atuação pública, recebeu a comenda da Ordem da Rosa em 1881 e, em 8 de agosto de 1888, o título de Barão do Serro Azul.
Após a transferência da capital do Paraná para a cidade de Castro, por causa do avanço das tropas federalistas, Curitiba ficou desguarnecida. Quando os maragatos estavam prestes a atacar a cidade, o Barão foi convocado para negociar a paz com o líder rebelde Gumercindo Saraiva. Ildefonso Pereira Correia coordenou, então, uma Junta Governativa do Comércio, encarregada de criar um empréstimo de guerra e negociar a não-invasão de Curitiba. Com isso, manteve a cidade a salvo da ameaça de destruição.
Entretanto, por sua atuação em favor da paz, viria a ser considerado traidor, pelos legalistas, sob a acusação de colaboracionismo com os federalistas. Em decorrência disso, no dia 20 de maio de 1894, foi fuzilado no km 65 da Estrada de Ferro Paranaguá-Curitiba. (D.R.)





