A Rede Canal Paraná não tem esse nome por acaso. Ela virá dentro de uma filosofia de trabalho de valorização do que é paranaense: suas cidades, os pontos turísticos, as fontes de renda, as culturas étnicas, os costumes, personagens e personalidades que por algum motivo mereçam estar na tela. Para que isso aconteça a grade de programação estará aberta às produções realizadas nas cidades do interior.
José de Melo, diretor-presidente da TVE, de Curitiba, afirma que qualquer cidadão poderá enviar sugestões de programas que gostaria de ver na televisão. Essas sugestões serão analisadas por um conselho interno e desde que aprovadas serão produzidas pela TV. Esta sistemática lembra de perto a dinâmica da Rádio Educativa FM 97.1, que também se abriu ao ouvinte – e choveram as mais variadas propostas, a maioria produzida pelos seus autores.
Há, porém, uma filtragem de qualidade e de adaptação ao perfil da rádio. Na televisão ocorrerá o mesmo: ‘‘Se for aprovada uma sugestão de programa, vamos trabalhar no sentido de dar o padrão de qualidade exigido’’. No caso de programas previamente gravados por produtores culturais, ele terá que apresentar itens obrigatórios como qualidade de produção, cenários, bons apresentadores, conteúdo.
Dentro desse espírito de trazer à tela a feição do Estado, foi elaborado o ‘‘Paraná Tem Poesia’’, cuja finalidade será mostrar a poesia dos paranaenses e, mais do que isso, a cara de quem escreve.
‘‘Sabemos que tem poetas em Cascavel, Cianorte, Umuarama, Londrina, Curitiba entre outras cidades. Então estaremos visitando os poetas em suas regiões e mostrando seu trabalho neste programa que vai durar cinco minutos. Parece pouco, mas cinco minutos em televisão é bastante tempo’’, didatiza Melo.
Ele adianta que o Canal Paraná trabalhará em torno de três editorias: de Educação, Cultura e Cidadania. ‘‘São três conceitos bastante amplos. Vamos aproveitar a amplitude desses conceitos e mostrar o Paraná para o paranaense’’.
A princípio esses são objetivos a serem alcançados porque no momento a TV Educativa do Paraná ocupa 12,22% da Rede Cultura de São Paulo. Ou seja, quase 90% daquilo que vai ao ar chega da emissora paulista. Para a formação da rede regional estão sendo oferecidos 15 novos programas.
Em julho serão definidas as novas atrações, juntamente com os demais diretores de emissoras que formam o Canal Paraná. A partir daí, até o final do ano, pretende-se chegar a 25% da ocupação da grade no horário nobre, segundo afirma José de Melo: ‘‘Não adianta a gente querer mostrar uma produção de qualidade e jogar à meia-noite, às oito da manhã. Horário nobre da televisão é final de tarde e início de noite e os programas do Canal Paraná terão de ser exibidos em horário nobre. Vamos sacrificar alguns da TV Cultura para colocar os nossos’’.
O ‘‘Enfoque Cultural’’, produção da TV Educativa que tem boa audiência no meio artístico, é uma agenda eletrônica do que acontece em Curitiba. Na rede deixará de ter caráter regional para se tornar estadual. ‘‘Estaremos dando serviço de tudo que acontece no Paranᒒ, avisa Melo.
Para colocar seus planos em prática ele conta com a decisiva parceria da Secretaria da Cultura com a Secretaria de Comunicação Social do Palácio Iguaçu, que viabilizou a questão técnica da televisão. Através do escalonamento de repasses de verbas – que pode chegar a R$ 1 milhão – estão sendo adquiridos equipamentos para a emissora. Até novembro as compras serão concluídas.
Enfim, a TV Educativa estava ‘‘completamente sucateada’’ e para colocar tudo em ordem serão cumpridas duas fases: a de captação de imagens e a de exibição de imagens. Optou-se inicialmente pela compra de equipamento digital para exibição. Quanto à captação (que seriam as câmeras) o caminho encontrado foram as parcerias com produtoras de vídeo que possuem essas máquinas, até a finalização do projeto.
O processo é lento porque envolve licitação internacional, porém o equipamento de exibição já está sendo instalado e os profissionais sendo treinados. ‘‘Existia uma diferença de qualidade de imagem entre a Rede Cultura e a nossa emissora. A partir de amanhã isso não acontecerá mais’’, garante Melo.
Quanto ao público que sintonizará a rede, não há uma definição conclusiva. No Paraná ela atuará em canal aberto, mas os milhões de parabólicas no País indicam que uma faixa mínima de audiência desse segmento representará milhares de televisores ligados. ‘‘O cidadão que mora no interior do Amapá, por exemplo, e tem uma parabólica, poderá sintonizar nossa programação. É uma conquista’’, diz Melo satisfeito.(Z.C.L.)

mockup