O PARANÁ FAZ CINEMA
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terça-feira, 02 de outubro de 2001
Francelino França<br> De Londrina 
A produção audiovisual no Paraná nos últimos anos tentou colocar novamente o Estado no mapa da cinematografia brasileira. O filme Oriundi (1999), de Ricardo Bravo, trouxe o mito hollywoodiano Anthony Quinn ao Paraná (Oriundi/1999). Cascavel já possui sete filmes no currículo e efetivou o chamado pólo cinematográfico do oeste. Dentre as recentes produções, estão em fase de finalização dois filmes de caráter histórico: ''O Preço da Paz'', de Paulo Morelli, rodado em 1999 e ''Sonhos Tropicais'', de André Sturm, uma produção de R$ 2,8 milhões.
Agora a grande expectativa recai sobre o trabalho da cineasta Tizuka Yamasaki, que em janeiro de 2002 inicia as filmagens de ''Gaijin 2'', na região de Londrina, que contará com estrelas hollywoodianas de origem latina, atores japoneses e grandes nomes do cinema nacional (a cineasta divulga os nomes logo que retornar do Japão). ''Terra Vermelha'', filme épico adaptado do livro de Domingos Pellegrini, está em fase de captação de recursos e, provavelmente, levará a assinatura de Ruy Guerra na direção.
Saltando dos limites dos números e nomes famosos, a recente produção de filmes no Paraná deu visibilidade à cultura local. A realidade social e necessidade de expressão estão sendo levadas às telas. Além disso, a conquista da linguagem e a solidificação de equipes fortalecem as futuras produções.
Em se tratando de curta-metragem, há mais de 20 filmes no Paraná em fase de finalização ou que saíram de uma recente fornada. Essa leva começou a ser produzida em 1998, com o surgimento das Leis de Incentivo à Cultura. Em função da disparada do dólar, muitos projetos ficaram no freezer, enquanto encontram novas formas de captação de recursos para finalização.
O vice-presidente da Associação de Vídeo e Cinema do Paraná - AVEC - Paulo Munhos considera que o convênio realizado entre a entidade que representa o audiovisual no Estado, mais a Secretaria de Cultura e a Secretaria de Comunicação Social solidificou o audiovisual paranaense, pois pretende beneficiar 23 filmes em fase de finalização, num custo total de R$ 400 mil. O pacote prevê um cronograma para os realizadores receberem a verba. Acontece que as promessas de liberação de dinheiro se renovam mês a mês, desde março de 2001. A Secretaria de Cultura informou que a liberação dos recursos depende da Secretaria de Comunicação. Mas falta ainda uma documentação fornecida pela Assembléia Legislativa que declare a AVEC de utilidade pública, para que a verba seja repassada. ''Agora eles criaram essa última exigência'', reclama Munhoz. A Folha tentou por várias vezes falar com a Secretaria de Comunicação, mas até o fechamento desta edição não recebeu resposta.
A maior dificuldade para potencializar a produção cinematográfica paranaense, no entendimento de Paulo Munhoz se refere ao apoio com verbas para filmes que não são daqui. Ou os atravessadores moram aqui, mas os filmes não são realizados no Paraná. ''Não tem cabimento pegar dinheiro nosso para darmos para técnicos fazerem filmes fora e não darmos recursos para os realizadores do Paraná. Considero isso uma burrice do ponto de vista cultural'', defende. Munhoz considera que falta aos técnicos e cineastas paranaenses exercitar mais. Rodar um curta-metragem a cada quatro anos não contribui muito. ''É importante estimular as ações locais. Esses filmes contam fatos da nossa realidade e estão representando o Paraná'', avalia. Com a duplicação e meia do dólar desde 98, como constata Munhoz, os realizadores estão com dificuldades de finalização. ''Muitos estão vendendo o que tem para pagar laboratórios'', revela.
Paulo Munhoz assina a direção do filme ''O Poeta'', cujo lançamento aconteceu em maio no Festival de Cinema e Vídeo de Curitiba. O curta recebeu os prêmios de melhor trilha sonora e uma premiação especial de criatividade e tecnologia. ''O Poeta'' marcou presença no Festival Anima Mundi, juntamente com mais outros três filmes brasileiros. Participou também dos Festivais de Curtas de São Paulo, Jornada Internacional de Cinema da Bahia e do Festival do Maranhão. O cineasta Luciano Coelho, diretor do média-metragem ''Fim do Ciúme'', recorreu a um empréstimo para finalizar seu filme. Dos R$ 20 mil que espera do acordo com a AVEC e as Secretarias de Cultura e Comunicação Social, ele ''pendurou R$ 10 mil reais''. O filme foi realizado em fevereiro de 2000 e teve um custo de R$ 100 mil. O diretor prevê o lançamento do filme para o próximo mês. Sobre as pendências para a liberação do dinheiro, ele se diz surpreendido, pois ''até dois meses atrás não faltava nenhum documento''.
Outro cineasta de pires na mão, Fernando Severo, diretor de ''Visionários'', também aguarda a liberação da verba do convênio para finalizar seu filme. ''É uma agonia. Eles dizem que a semana que vem sai e nada acontece de definitivo'', desabafa Fernando Severo.
Em Londrina, o produtor executivo Caio Julio Cesaro defende a criação de uma política emergencial para o audiovisual paranaense. ''Mas também defendo uma política cultural mais consistente para o setor''. Caio Cesaro foi produtor do curta ''Cine Paixão'', de Sérgio Concílio e Vera Senise. O filme recebeu o convite para participar da 25ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, de 19 de outubro a 1º de novembro. O produtor espera finalizar brevemente outro curta rodado em Londrina, ''Saudade''. Faltam ainda R$ 8 mil para a edição de som, ampliação e créditos.
Apesar das pendências, os realizadores tentam finalizar a duras penas seus trabalhos para mostrarem em festivais. O filme ''Polaco da Nhanha'', de Eloy Ferreira, recebeu menção honrosa na 28ª Jornada Internacional de Cinema da Bahia, no mês passado. Outro filme ''O Traste'', de Nivaldo Lopes, recebeu no mesmo Festival o prêmio de melhor atriz para Célia Ribeiro.


