Marcos Zanatta
De Maringá
Bonecos de todos os tamanhos e tipos contam histórias pelas praças e teatros de Maringá até o próximo domingo. A 4ª Exposição e Mostra e Teatro de Bonecos pela primeira vez conta com a participação de grupos de fora. ‘‘A mostra começou como forma da gente resgatar os grupos de bonecos de teatro’’, conta Rô Fagundes, diretora da Associação Maringaense de Teatro de Bonecos. No primeiro ano os organizadores ‘‘convocaram’’ todo o pessoal que tinha alguma ligação com a confecção e apresentação de peças com bonecos. ‘‘Foi legal porque apareceram bonecos confeccionados há mais de 30 anos, que estavam guardados no fundo do armário do pessoal que era do meio’’, lembra.
O evento criou um certo entusiasmo nos artistas do teatro de bonecos da cidade, que voltaram a montar espetáculos. No segundo ano, lembra Rô, a organização conseguiu a participação de um grupo de Curitiba. ‘‘O que valeu a partir daí foi a troca de experiências’’, conta a diretora da associação. No ano passado, a mostra ‘‘avançou’’ mais um pouco, com a realização de uma oficina. Com patrocínio os organizadores conseguiram atrair para Maringá um bonequeiro, que apresentou novas idéias ao pessoal. ‘‘Agora participamos do festival internacional em Curitiba, onde conhecemos alguns grupos que aceitaram o convite’’, conta Rô.
Além dos grupos Karagöz D e o Pivete e Cia de Arte, de Curitiba, a mostra terá ainda a Cia Truks, de São Paulo e Sérgio Mercúrio, da Argentina. A idéia é divulgar o trabalho com teatro de bonecos, mas a grande intenção é fortalecer ainda mais a associação de Maringá. ‘‘Hoje somos o segundo pólo estadual de teatro de bonecos’’, conta Rô. São apenas cinco grupos, alguns com as atividades suspensas, e que devem tomar um novo rumo com a promoção. ‘‘Queremos incentivar a produção e a criatividade do pessoal’’, explica Rô. Ela acha que a mostra e exposição, com a participação de grupos de fora, é uma das iniciativa para os grupos retomarem ou ampliarem o trabalho.
Mas a grande atração da mostra deste ano é o dragão onde são expostos os bonecos. Como os espetáculos serão realizados em vários locais, devido as características de cada peça, a exposição é itinerante. Para acompanhar as apresentações, o pessoal da associação decidiu criar um boneco gigante de um dragão, onde são expostas as peças. O dragão foi criado e confeccionado pelos próprios bonequeiros dos grupos locais, com papel, arame, ferro, tecido e tinta. A cabeça, com mais de três metros de altura, é a porta da exposição.
Os cerca de 50 bonecos que contam a história dos grupos de Maringá ficam no ‘‘corpo’’ do dragão, com 2,5 metros de altura e 16 de comprimento. A armação do corpo é feita de metal, coberta com um tecido colorido. ‘‘Desmontamos e levamos o dragão da exposição para qualquer local’’, diz Rô. As apresentações este ano se dividem entre as praças da cidade, onde o público e alunos das escolas públicas podem participar, e os teatros. Como cada peça tem uma característica, explica Rô, foi necessário dividir a mostra para vários locais. ‘‘Não poderíamos levar um espetáculo intimista para um teatro com 800 lugares, quebrando o encanto da peça’’, explica.
Os bonecos que fazem parte da exposição, segundo ela, são todos de artistas e grupos de Maringá, e participaram de vários espetáculos montados na cidade e fora. Todos os dias, principalmente nas apresentações de praça, muitas pessoas têm passado pela exposição. No domingo de abertura, realizada junto com a feira de artesanato do Centro de Convivência Comunitária, o público formou fila para ver os bonecos dentro do dragão. ‘‘O bom é que estamos atraindo grupos e bonequeiros da região, que pretendem conhecer nosso trabalho e participar das próximas promoções’’, comemora Rô.

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