O pão que derrubou Maria Antonieta
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quarta-feira, 22 de julho de 1998
Elisa Marilia Carneiro 
Mais uma surpresa agradável e saborosa em Curitiba. A Confeitaria Requinte já tem, na sua linha diária de produção, o autêntico sabor francês do pão brioche. Imortalizado pelo rei Luís XVI e Maria Antonieta que, segundo a história, quando a população recalamava do alto preço do pão, mandou o povo comer brioches - mais caro -, resultando na Queda da Bastilha, em 14 de julho de 1789, na Revolução Francesa.
Desde aquela época, o mundo soube que brioche não é pão. O brioche se diferencia dos demais pães por não levar água ou leite na sua receita. A massa do nosso brioche leva apenas ovos, manteiga, açúcar e farinha, ensina Cláudia Cazella, engenheira de alimentos da Requinte, uma das mais tradicionais confeitarias e panificadoras de Curitiba.
Segundo ela, a massa também fica descansando por 24 horas, o que garante mais sabor e uma textura macia. A hidratação da massa do brioche é feita pelos ovos, explicou Cazella. Na receita popular, a hidratação é sempre feita com água ou leite.
A nova receita do brioche foi desenvolvida pelo confeiteiro francês Christophe Chovot, que deu consultoria à Requinte por dois meses e criou 30 novos produtos, entre pães, brioches, bavarois, salgados e bolos. Chovot é formado pelo Instituto Nacional de Padaria e Confeitaria de Rouen e Liceu de Educação Profissional, com diploma de mestre em padaria.
O brioche é um pão leve e cheio, de massa mais ou menos fina de acordo com a proporção de manteiga e ovos e que pode ser feito de várias formas. A mais tradicional é o brioche parisiense (brioche à tête), que tem o formado de duas bolas sobrepostas -uma pequena sobre uma maior e mais cheia.
Há controvérsias quanto à origem da palavra brioche. Alguns livros afirmam que o nome apareceu pela primeira vez em 1404 e vem da união das palavras bris (quebra) e hocher (sacudir); outros, garantem que a palavra é derivada do verbo brier ou broyer (cujo significado é moer ou triturar).
Histórias à parte, Cazella afirmou que o melhor mesmo é saborear o brioche, de preferência acompanhado por um bom chá. O pão pode ser degustado puro, tão logo saia do forno, com manteiga ou alguns acompanhamentos como salame, pastrami, queijo branco e geléia de maçã. Como a massa é semi-doce, na França o brioche costuma ser servido também como sobremesa.


