Um dos ícones da cultura brasileira, o ator Paulo Autran, comemora 80 anos. Cercado de amigos e fãs, ele sobre ao palco hoje na estréia da peça ''Variações Enigmáticas'', de Eric-Emanuel Schmitt, no teatro Faap, em São Paulo, ao lado do ator Cecil Thirè. Na peça, ele interpreta um escritor isolado em uma ilha norueguesa que recebe a visita de um jornalista. Uma inocente entrevista se transforma aos poucos num jogo de revelações pessoais recíprocas. O texto é sucesso em todo o mundo. Em Paris, a peça foi estrelada por Alain Delon.
Advogado por formação, o ator carioca foi descoberto por acaso na praia de Ipanema e convidado para participar da peça ''Um Deus Dormiu lá em Casa'', de Guilherme de Figueiredo. Sua vida pessoal se mantém cercada de mistérios. Apenas alguns poucos amigos dividem a intimidade de Autran, que o consideram um gentleman. Há três anos resolveu se casar com a atriz Karin Rodrigues. Moram em apartamentos separados e almoçam todos os dias juntos. Depois de ''Variações Enigmáticas'', se prepara para dirigir Karin Rodrigues na comédia ''Vestir o Pai'', do dramaturgo Mário Viana. Além de ator, diretor e produtor, Paulo Autran é proprietário da Pousada Pardieiro, em Parati (RJ), local onde se refugia.
Em sua eclética carreira protagonizou espetáculos de autores do quilate de Samuel Beckett, Arthur Miller, João Cabral de Melo Neto, Molière, Millor Fernandes, Jean-Paul Sartre, entre outros. Além de marcar os palcos com experimentos arriscados, não se intimida de enfrentar vários gêneros, da tragédia às comédias leves, musicais e dramas de autores estreantes. Mesmo diante do preconceito declarado, marcou presença em telenovelas de Janete Clair e Silvio de Abreu.
Além de tantos prêmios pela longeva carreira bem-sucedida, ele tornou-se uma personalidade no mundo teatral, principalmente porque levou teatro pelos quatro cantos do País em 54 anos de carreira.
A Canal Brasil faz uma homenagem ao ator e reapresenta hoje, às 15h30 o especial ''Paulo Autran 80 anos''. Além de falar de sua experiência profissional no teatro, ele comenta suas participações no cinema, em Oriundi (1997), de Ricardo Bravo, e Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha.

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