O palco de Peter Brook
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de junho de 2008
Fracismar Lemes<br> Reportagem Local 
Dentro de nós algo é muito maior do que os outros e a gente mesmo conhece. Um mundo escondido, que é obrigado a se manifestar quando algum conflito devassa esse território. Para o diretor inglês Peter Brook, expressão máxima do teatro mundial, que pela primeira vez se apresenta, no Brasil, fora das capitais, abrindo a temporada nacional no 40º Festival Internacional de Londrina (Filo), o que poderia se tornar um mostro inflamado é domesticado na arte teatral.
O espetáculo ''Fragments'', que estréia hoje no Filo, com reapresentação até terça-feira, traz a companhia francesa Théatre des Bouffes du Nord (CICT), criada pelo diretor em 1974, e que trabalha com atores de vários países, pesquisando diferentes elementos do teatro em todos os tempos.
''Fragments'' nasceu de um comentário de uma de suas colaboradoras, Marie-Hélène Estienne, ao dizer que as peças curtas de Beckett não alcançavam grande sucesso. Brook, então, tomou quatro pequenas peças do autor: ''Rough for Theatro I''; Rockaby''; ''Act Without Words II'' e ''Come and go'' e o poema ''Neither'' para criar um espetáculo elogiado mundialmente.
Para Brook, em Beckett, a
exuberância que existe em Shakespeare é mais contida e de uma economia que o interessa - o que, na sua concepção, atrai o espectador.
Beckett, segundo o minimalismo de Brook, é encenado por apenas três atores e o famoso ''palco nu'' do qual o diretor diz que basta que um homem caminhe por esse espaço vazio, enquanto outro lhe assiste, para um ato teatral.
Aproximadamente uma hora dura essa ''caminhada'' do texto falado em inglês, com legenda nas apresentações brasileiras, incluindo Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.
Brook já apresentou no Brasil ''O Terno'' em 2000, ''Hamlet'', em 2002, e ''Tierno Bokar'', em 2004.
Há pelo menos 30 anos o diretor não é mais aquele que recorria à peripécias da teatralidade. Para os que esperam assistir a um show, um alerta: terão a oportunidade de ver um trabalho simples.
Ele nasceu em Londres, em 1925, numa família de classe média alta. Estudou na famosa Universidade de Oxford, começando a produzir alguns espetáculos.
No princípio, o trabalho foi marcado pelo teatro convencional, dirigindo também estrelas como Laurence Olivier, Vivien Leigh e Anthony Quayle.
Na década de 60, o teatro de Brook passa por uma revolução. Ao ser nomeado co-diretor geral da Royal Shakespeare Campany, passou a encenar mais frequentemente dramaturgos contemporâneos e outros clássicos, além de Shakespeare.
A obra dele é marcada pela montagem de Marat/Sade, em 1964, com texto de Peter Weiss. O espetáculo foi adaptado para o cinema, com direção do próprio Brook, que também era cineasta.
''Fragments''não tem penduricalhos, mas, no ''palco nu'', somente Peter Brook - um privilégio para as comemorações dos 40 anos do Filo.


